quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O PREÇO DA SINCERIDADE

As pessoas dizem que querem mudar. As pessoas falam que buscam maturidade ou o crescimento etc. As pessoas se colocam como discípulos ou "amantes apaixonados" de Jesus, Kardec, Buda, Maomé, Moisés, Hermes, Gurdjieff e etc.

São tantas pessoas, religiões, seitas, grupos, escolas, comunidades... Todos, pelo menos, entre aspas, com propostas semelhantes... apesar de não se entenderem na superfície!

Mas, no fundo, todos, mas, afirmativamente todos, gostamos mesmo, é de ter nossos EGOS massageados! Não gostamos de ouvir críticas, não queremos ver nossos erros, falhas etc sendo pontuados e/ou demonstrados... Isso é muito bonito, mas apenas na filosofia... no desejo... Já, no concreto, a história é outra!

Isso, repito, para quem se diz ser buscador. Porque, para os milhões de criaturas que não dão notícias de tal contexto... é melhor fazermos silêncio!

Entretanto, para os que gritam: SENHOR!, SENHOR!, podemos verificar que nossas falas são apenas palavras jogadas ao vento... E, então, é de se perguntar: Como ficamos diante do primeiro parágrafo linhas acima? Aqui, sem sombra de dúvidas, podemos configurar o ensinamento do Mestre que diz: MATEUS 15:8: "Este povo honra-me com os lábios, Mas o seu coração está longe de mim". Ou, ainda: LUCAS 06:46: "Por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?" Outra: MATEUS 07:21: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus".

As três citações são complementares, estão na ordem correta e perfeita, e dizem tudo por si sós!

A minha prima sempre está me dizendo, de diferentes modos: "poucas pessoas, nesta vida, tem sua coragem com as palavras"... Bom, pode ser verdadeiro ou não, mas, seja como for, isto tem seu preço! Qual?! Vou lhes contar um...

Vira e mexe, recebo visitas espirituais noturnas, quando não são os próprios,  são os acompanhantes de tais pessoas que vem me cobrar isso ou aquilo. Não é fácil e é altamente desagradável, talvez, por deficiências particulares minhas, lidar com estas situações, onde passo muitos apertos e estou sempre apelando para o socorro de Jesus ou de seus mensageiros amoráveis.

Só mesmo Ele e/ou os Amigos Espirituais para socorrerem-nos! Por que? Porque tenho débitos clamorosos e nenhuma força de mim mesmo, ainda! E, bem provável, será assim por um bom tempo...

Acordo, algumas vezes, suando, em calafrios... tremendo... sentindo todo o peso e com algumas repercussões no campo físico, como atestados dos acontecimentos. Aqui, vou me calar sobre várias questões e por vários motivos... Um, e tão somente um deles, direi, mas, talvez, você não compreenda, no entanto, é para não ter meu próprio EGO massageado!

Mas, falávamos da sinceridade-mentira! Ah, não?! Você acha que não?! Heim?!! Isso é você quem pensa! Vejamos então! Dizemos que buscamos e gostamos da sinceridade. E isso é verdadeiro, até o momento em que alguém seja sincero conosco. Quando isso acontece, estrebuchamos! Amarramos a cara, quando não apelamos! As veias de nosso pescoço engrossam, em razão da raiva que vai de nosso coração ao cérebro; onde a tratamos de formas variadas, conforme nossas problemáticas e dificuldades... Se não conseguimos vomitar na hora, depois... à noite, vamos fazer algumas visitas... É assim!

Isto é a realidade! Acredite você ou não, aliás, que importa nossas crenças diante do Mundo Real e dos fatos?! Se você diz que isso não é verdade, que é mentira, e que não existe, não importa. Um dia, tal verdade poderá ser comprovada e verificada, sem ter como retrocedermos. Podemos até nos enganarmos nesta hora, que seja! Mas, não precisa brigar comigo por isto não. A morte, meu caro!, está logo ali, aguardando a todos nós, sem exceções. É ela o portal para o Mundo Real e ninguém, ninguém mesmo, conseguirá enganá-la por todo sempre. Assim, mais cedo ou mais tarde, teremos, inevitavelmente, de estarmos cara a cara... Mesmo que multidões vão e voltam sem darem notícias... mas, um dia... um dia... a casa cai.

Porém, falávamos sobre verdade-mentira. Ah... sim, o assunto era esse... No entanto, se gostamos tanto da Verdade, por que adulamos a mentira? Sim, isso mesmo. Adulamos a mentira. Mentira isso, diz você?! Ora, ora... Baste alguém não massagear nosso EGO. E... Lembra desse termo? Massageamento do EGO? Pois é, é por isto! Entendeu?!

Alguns pensadores dizem que a Psicologia deveria ter uma nova definição: O estudo da mentira!

É... Mas, já falamos muito. Usamos muito o "mas" e o "porém"... E, além do mais, muitos não gostam de ler tanto e, menos ainda, ouvir! (rsrs!) Assim, fiquemos por aqui, porque já falamos d+.


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

OPORTUNIDADES

Em todas as direções do planeta, observamos o homem do mundo perseguindo as oportunidades.

De modo geral, todavia, as criaturas humanas não procuram senão a oportunidade de uma situação de evidência transitória na Terra.

Encontram-se apressados os que buscam as grandes ocasiões do dinheiro, dos títulos convencionais, das situações de destaque, dos desejos satisfeitos, sob o ponto de vista planetário. Os homens, identificados no mesmo ideal mundano, abraçam-se, na comunhão de interesse, nesses encontros fortuitos. Os demais saúdam-se ligeiramente, em atitude suspeitosa, temendo a alheia intromissão nos seus inferiores desígnios.

Essa, a estrada comum da vida sobre a Terra. E os que passam contemplando o céu ou meditando na sabedoria da Inteligência Suprema que lhes facultou as belezas e utilidades do caminho, para os seus semelhantes inquietos não serão de seu tempo.

O homem vulgar, todavia, ainda não se capacitou de que essa corrida apressada não é mais que uma oportunidade para morrer. Morrer, segundo a carne e segundo o espírito também, porque as realizações materiais, quando não acompanhadas de finalidade edificante, no plano definitivo da alma, podem conduzir aos débitos mais escabrosos, em séculos de regeneração pungente e amarga.

Nessa movimentação desordenada das criaturas, muitas vezes, faz-se mister lançar mão de sagrados patrimônios da consciência, sufocam-se as tendências mais nobres, espezinham- se os melhores sentimentos.

Faltam a esses lutadores inquietos os valores legítimos da iluminação interior e é por isso que, freqüentemente, vemos o político elevar-se para atender à maquinaria da destruição, formar-se o sacerdote para a defesa de vãos interesses, eleger-se o jurista para desviar o direito ou preparar-se o médico para confundir o problema da saúde.

Quase todas as criaturas marcham ansiosas, na valorização da oportunidade falsa, e chegam esgotadas ao término da luta, esbarrando na realidade da morte, desprevenidas e infelizes.

É que o homem ainda não quis compreender que a maior oportunidade não poderia sair da indigência de nossas mãos. Somos espíritos imperfeitos e não poderíamos criar a oportunidade perfeita para a felicidade real. Só a sabedoria e a magnanimidade de Deus podem conceder às nossas almas esse ensejo divino. E essa oportunidade sagrada é a da Vida. O berço mais pobre e o corpo mais deformado constituem essa concessão da Infinita Misericórdia. Representam a porta consoladora, por onde o espírito humano regressa à valorosa oficina de trabalhos que é a Terra. E somente quando a criatura sabe apreciar a extensão desse ensejo, lendo a cartilha do esforço próprio, nas sendas mais penosas da regeneração ou do aprendizado, terá descoberto a sua oportunidade definitiva de glorificação e paz, porquanto, não mais estará edificando sobre a areia das convenções do mundo, das pretensões científicas ou das galerias do falso conhecimento, mas sim, na base imortal do sentimento e da justa razão.

Dentro dessas observações, devemos considerar que a mais elevada oportunidade de um homem é a sua própria existência e a vantagem real dessa bênção reside na iluminação definitiva do espírito.

O Mestre é Jesus.

A Escola é a Terra.

O Bem é o trabalho que aperfeiçoa.

O Adversário é tudo o que afaste a energia do serviço real com o Cristo.

Em vista dessas verdades, que o discípulo ponha mãos à obra de sua purificação e ninguém espere um céu que não edificou em si mesmo.


(As Oportunidades, Emmanuel in A Criança e o Futuro.)


terça-feira, 20 de novembro de 2012

JESUS, SEGUNDO DIÁLOGO

Não é Deus! Deus é único! Trindade é mitologia pagã! Nas filosofias indianas e outras tão ou mais antigas, são onde vamos encontrar a figura da trindade que, aliás, se refere e é aplicável - tão somente - à criação e não à Deus, o Criador. Houve uma distorção da ideia original, pelos pais da Igreja que a atribuíram a Deus... fomentando, deste modo, uma concepção paganizada do Cristianismo. Se Deus pudesse nascer, teria algo pra lá de esquisito! Deus não nasce e nem se incorpora... Não se subdivide... Mas, falávamos de Jesus!

É criatura tanto quanto o mais que existe! Porém, já atingiu um grau de evolução tão alto que já alcançou a pureza... Não há como sabermos os anos siderais que possui. Reza as tradições espirituais que não passou pela fieira do mal, da ignorância, sim; porém, a fieira do mal não é obrigatória. Quanto aos planetas por onde evoluiu, já não existem há muito tempo! Se tornaram poeria cósmica! É um dos co-criadores do Sistema Solar e responsável pela evolução das criaturas que habitam todo esse sistema, particularmente, as da Terra. É o governador espiritual de nosso planeta!

Sob sua batuta, vieram vários emissários em auxilio aos habitantes encarnados e espirituais do planeta. Entre eles: Fo-Hi, Hermes Trimegistos, Krishna, Lao-Tsé, Moisés, Buda e tantos outros... Aceitar ou não, não está em discussão. Isso é assim, e um dia todos nós estaremos conscientizados deste fato. Não precisamos nos preocupar com isto, pois a morte não existe. Portanto, a passagem do tempo pelas linhas da eternidade é coisa corriqueira. Todos chegaremos lá, que importa se daqui a 1 milhão ou 1 bilhão ou trilhões de anos?! Tempo também não existe! Ainda veremos a nossa galáxia, a Via Láctea, se chocar com a galáxia de Andrômeda, daqui a 4,5 bilhões de anos. Portanto, não vamos nos "pré-ocupar"!

É o Mestre por excelência! Nosso guia e modelo! Alinhemos nossas bússolas nesse norte e iremos bem. Nessa pauta e nesse terreno é que se expressa como salvador. O mais, é loucura! (No entanto, esse tema será tratado em outra parte!)

É o Espírito mais elevado que esteve, em pessoa, entre nós. Por isso, seu canto ainda ressoa com tanta força e em tantos e tantos corações... Não há como estar diante dele e não ficarmos de joelhos... Sua presença se impõe, nos faz calar... ouvir... temer... apesar de ser a expressão do amor. Talvez, por isso mesmo!

Ouça-mo-lo sempre! 

O ESPIRITISMO É RELIGIÃO?



Sobre a questão "O ESPIRITISMO É UMA RELIGIÃO?", em 13/08/2003 escrevi o seguinte texto que agora republico aqui:

Nos primórdios do Espiritismo (e até os dias atuais) muitos foram os questionamentos relativos a seu aspecto religioso, mormente por se apresentar sob a égide de Restaurador do Cristianismo. Por ocasião da publicação da pequena obra subsidiária intitulada O Que é o Espiritismo, editada pela primeira vez em 1859, Kardec, nas linhas introdutórias, definiria: "O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal." Mais à frente, respondendo à indagação formulada por uma autoridade eclesiástica, aduziria: "...Seu verdadeiro caráter é, pois, o de uma ciência e não o de uma religião."

Certamente desejou o Codificador garantir que o Espiritismo nascente não fosse confundido com mais uma corrente religiosa ortodoxa, com sua hierarquia, rituais e dogmas inflexíveis.

Observemos, a propósito, que o Espiritismo se apresentou ao mundo através da publicação de O Livro dos Espíritos, contendo na página de apresentação o seu teor: FILOSOFIA ESPIRITUALISTA; evidenciando o caráter filosófico doutrinário.

Em seguida, viria a lume o segundo livro da Codificação, intitulado O Livro dos Médiuns; tratava-se de ESPIRITISMO EXPERIMENTAL; ressaltando o caráter científico da Terceira Revelação.

Somente em 1864, data da primeira edição de O Evangelho Segundo o Espiritismo, os mentores nos traziam as principais máximas do Cristo, analisadas sob a ótica espírita, permitindo-nos visualizar mais cristalinamente o aspecto religioso da Doutrina.

Alguns anos após, Kardec, sentindo a necessidade de uma definição a respeito da questão, proferiu discurso bastante elucidativo em reunião pública realizada na noite de 01/11/1868, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, onde declarou: "...sem dúvida, no sentido filosófico o Espiritismo é uma religião, e nós nos ufanamos disso" (O discurso do Sr. Allan Kardec pode ser encontrado integralmente na bibliografia citada no final deste, ou  na publicação aqui no Blog, no mês de setembro de 2012, com um título semelhante ao do presente texto: O Espiritismo é uma Religião?).

Portanto, deixemos bem explicado, o Espiritismo não é uma religião visto pelo conceito do senso comum atribuído a essa palavra. Ou seja, como sinônimo de fé ou de um sistema de crenças, portadores de conceitos dogmáticos, regidos por uma instituição soberana que declara qual é a verdade. Nesse sentido, o Espiritismo seria antes: uma "filosofia de bases cientificas com consequências ético-morais". No entanto, visto sob o aspecto do real e verdadeiro sentido da palavra religião, a qual é re-ligação, re-união, transformação interior e etc., podemos dizer que o Espiritismo é uma religião sim.

Finalizando, conclui-se, pelo exposto, que a Doutrina Espírita é uma religião por consequência de seus fundamentos éticos morais, derivados dos filosóficos e científicos, todos os quais, conduzindo o homem pelos caminhos da fé raciocinada, o levarão ao inevitável reencontro com o Criador, finalidade precípua de qualquer sistema religioso legítimo. 


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Bibliografia:
- O Que é o Espiritismo, FEB, Departamento Editorial, RJ, 37a. edição, 1944, 217 páginas; páginas citadas: preâmbulo e pg. 130.
- Revista Espírita dezembro de 1868 (veja NOTA publicada deste discurso).

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

DEUS, SEGUNDO DIÁLOGO

Vida!

Criador!

Consciência Suprema!

Causa primeira de tudo!

Soberanamente bom e justo!

Único: há um só Deus!

É a Verdade Absoluta!

É a Realidade Absoluta!

Sem Ele, nada existiria...

Tudo que existe, ou possa vir a existir... nele tem suas raízes!

Imparcial, amoroso, misericordioso, onipresente, onisciente...

Tudo sabe, tudo vê! Em qualquer parte da Criação! Desde o ínfimo átomo às galáxias... dos homens aos anjos e Serafins!... Nada lhe escapa à Consciência.

Está além do Ser, da forma, de qualquer pessoalidade ou outra coisa!

Deus não se mostra, mas se revela pelas suas obras.

Sendo único, não é três em um. Se Deus fosse trino, já não seria único e sim três forças brigando ou interagindo entre si. E isto não pode ser...

Deus é eterno: Não teve princípio e não terá fim.

Deus é bom: Ama todas suas criaturas com o mesmo amor, não importa se átomo, planta, verme ou Querubim...

Deus é justo: Todos somos iguais; seu amor é incondicional e imparcial. Ele permite aconteça ou ocorra com cada um de nós exatamente o que merecemos e necessitamos. Numa palavra, a cada um segundo suas obras. Não existe privilégios, em nenhuma parte...

Deus é amor: Expressão máxima da Misericórdia, da Bondade e da Justiça! Por isto mesmo, não há como existir justiça sem misericórdia e amor sem equidade. Por consequência lógica, Ele é impessoal. Não toma partido algum, apenas consente o melhor para cada um de seus filhos, conforme as necessidades reais do ser.

Toda Criação é filha de Deus... Um átomo, um verme, uma baleia, homens ou mulheres... anjos... ou galáxias...

Nele nos movemos, existimos e temos nosso pequenino ser! Nada existe fora de Deus, se existisse seria outro deus.

Qualquer coisa que pudermos falar sobre Deus, é reducionismo; pois Ele está além de tudo que dissermos ou que podemos compreender. Está além da compreensão! Por isto mesmo...

É Incognoscível.

É o Grande Arquiteto do Universo e de tudo que existe ou possa vir a existir.

Está além das palavras e de qualquer entendimento de nossa parte!

Palavras finais: Soberano absoluto, Deus é a suprema e absoluta inteligência, criador e regente dos universos físicos e espirituais; mantenedor, organizador e realizador derradeiro de todas as Leis e de todas as Regras que orientam e controlam o funcionamento dos variados Cosmos, bem como das normas morais e físicas que regem nossos destinos e o fadário de todas as criaturas, numa palavra, de toda a Criação, bem como, dos relacionamentos entre todos os seres desta mesma criação infinita.


- Texto corrigido em 06/11/2012.

UMA VERDADE INCONTESTÁVEL


             "...não importa o que se revela e o que se guarda para si. Tudo o que fazemos, tudo o que somos, reside em nosso poder pessoal. Se temos o suficiente, uma palavra que nos for pronunciada pode ser suficiente para mudar o rumo de nossas vidas. Mas, se não tivermos o suficiente, o fato de sabedoria mais magnífico nos poderá ser revelado sem que tal revelação faça a menor diferença." (Juan Matus, Portas para o infinito).

OBS.: "Poder pessoal", na frase acima, deve ser entendido como elementos internos, ou, pelo menos, uma disposição íntima, que nós permita e traga sustentação para uma abertura de vistas, de ideias, de analises e etc, nos fornecendo condições de vencermos nossas resistências e cristalizações perante o que se encontra à nossa frente, seja em termos emocionais, intelectuais ou factuais.


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

AMIGO INGRATO

Causa-te surpresa o fato de ser o teu acusador de agora, o amigo aturdido de ontem, que um dia pediu-te abrigo ao coração gentil e ora não te concede ensejo, sequer, para esclarecimentos.

Despertas, espantado, ante a relação de impiedosas queixas que guardava de ti, ele que recebeu, dos teus lábios e da tua paciência, as excelentes lições de bondade e de sabedoria, com as quais cresceu emocional e culturalmente.

Percebes, acabrunhado, que as tuas palavras foram, pelo teu amigo, transformadas em relhos com os quais, neste momento, te rasga as carnes da alma, ele, que sempre se refugiou no teu conforto moral.

Reprocha-te a conduta, o companheiro que recebeste com carinho, sustentando-lhe a fragilidade e contornando as suas reações de temperamento agressivo.

Tornou-se, de um para outro momento, dono da verdade e chama-te mentiroso.

Ofereceste-lhe licor estimulante e recebes vinagre de volta.

Doaste-lhe coragem para a luta, e retribui-te com o desânimo para que fracasses.

Ele pretende as estrelas e empurra-te para o pântano.

Repleta-se de amor e descarrega bílis na tua memória, ameaçando-te sem palavras.

Não te desalentes!

O mundo é impermanente.

O afeto de hoje torna-se o adversário de amanhã.

As mãos que perfumas e beijas, serão, talvez, as que te esbofetearão, carregadas de urze.

Há mais crucificadores do que solidários na via de redenção.

Esquecem-se, os homens, do bem recebido, transformando-se em cobradores cruéis, sem possuírem qualquer crédito.

Talvez o teu amigo te inveje a paz, a irrestrita confiança em Deus, e, por isto, quer perturbar-te.

Persevera, tranqüilo!

Ele e isto, esta provação, passarão logo, menos o que és, o que faças.

Se erraste, e ele te azorraga, alegra-te, e resgata o teu equívoco.

Se estás inocente, credita-lhe as tuas dores atuais, que te aprimoram e te aproximam de Deus.

Não lhe guardes rancor.

Recorda que foi um amigo, quem traiu e acusou Jesus; outro amigo negou-O, três vezes consecutivas, e os demais amigos fugiram dEle.

Quase todos O abandonaram e O censuraram, tributando-Lhe a responsabilidade pelo medo e pelas dores que passaram a experimentar. Todavia, Ele não os censurou, não os abandonou e voltou a buscá-los, inspirá-los e conduzi-los de volta ao reino de Deus, por amá-los em demasia.

Assim, não te permitas afligir, nem perturbar pelas acusações do teu amigo, que está enfermo e não sabe, porque a ingratidão, a impiedade e a indiferença são psicopatologias muito graves no organismo social e humano da Terra dos nossos dias.


Franco, Divaldo Pereira.
Da obra: Momentos de Felicidade.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.Salvador,
BA: LEAL, 1990.