quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

AS COBRAS E O SER HUMANO


"Cobra" é uma denominação genérica, utilizada frequentemente na língua portuguesa como sinônimo para serpente. A maior parte das cobras põe ovos e a maior parte destas os abandona pouco depois da oviposição. No entanto, recentemente, foi confirmado que várias espécies de cobras desenvolvem os seus descendentes completamente dentro de si, nutrindo-os através de uma placenta e um saco amniótico. 

Humano (conhecido taxonomicamente como Homo sapiens, do latim "homem sábio", e também chamado de pessoa, gente ou homem) é a única espécie animal de primata bípede do gênero Homo ainda viva. Os membros dessa espécie têm um cérebro altamente desenvolvido, com inúmeras capacidades como o raciocínio abstrato, a linguagem, a introspecção e a resolução de problemas. E outros processos de pensamento de alto nível, como a autoconsciência, a racionalidade e a sapiência, são considerados características que definem uma "pessoa".

Por ser o ápice da criação, a nível de Terra, podemos fazer algumas "correlações" entre a espécie humana com os diversos seres dos demais reinos que compõem a estratificação ontogônica do planeta Terra ou Tiamath, conforme é designada por alguns dos Filhos das Estrelas. Mas, isto é outra história.

Logo, sob este aspecto, existem as "pessoas cobras". São "pessoas" venenosas que inoculam os desavisados e distraídos com os vírus da antipatia, do antagonismo, da desconfiança, da descrença, da desilusão e de tantos outros males que perturbam e molestam os seres humanos. Para cada vírus, gestado e alimentado pelo ser, um veneno diferente, sendo referido veneno o meio (o liquido amniótico) em que estes assentam sua existência e sobrevivência.

Porém, para que um deles, ou vários desta diversidade viral, atuem no cosmos de alguém, referida pessoa deverá estar com o seu sistema imunológico em baixa ou aberto. Sim, por exemplo, são pessoas que aceitam tudo o que lhes é dito sem passarem o que recebem pelo crivo da razão, do bom senso, da lógica, da caridade cristã e etc. Diante disto, desavisados e desatentos, apesar de se dizerem Cristãs, não põem em prática os ensinamentos de Jesus, tal como o "orai e vigiai, para não cairdes em tentação", conseguintemente, dão vastos pastos ao Mal.

Mal, sim, pois tais atitudes não se coadunam com as linhas do Bem. Se ouvimos uma maledicência sobre alguém, sejam as informações verdadeiras ou não, cabe a mim, como receptor de triste "mensagem", ser o ponto final da mesma. Abrindo mão de continuar "irradiando-a" (transmissão contagiosa de polaridade negativa) aos outros, estarei trabalhando com Jesus para um Bem Maior. Exceto, se aquilo que o outro faz, esteja trazendo prejuízo a outrem ou à coletividade. Neste caso, devo trabalhar para a solução dos problemas, todavia, jamais para acumular (ou, como se diz, jogar) mais lenha na fogueira.

Se eu não vou contribuir para o Bem geral, então devo calar-me! Fazer silêncio! Consequentemente, sejamos nós o ponto final dos "venenos" que nos chegam através dos olhos, dos ouvidos ou dos vários outros órgãos perceptivos que temos. Até mesmo porque, na medida em que alimentamos ou cultivamos os "venenos" recebidos, também nos convertemos em "cobras" humanas, passando a determos potencial para contagiarmos outras e mais outras pessoas, ou seja, a humanidade. 

E por humanidade não nos referimos apenas à que está revestida de (ou possui) um corpo de carne, líquidos e ossos. Conforme já deixamos antever, para os mais atentos, nestas parcas linhas, o caso se reveste de maior gravidade do que o exposto, por vivermos imersos em um Universo multidimensional. Ou seja, existem muitas dimensões. E estas outras dimensões também são habitadas por seres pensantes e atuantes como nós mesmos, apenas se encontram revestidos de corpos com uma constituição diversa, um tanto quanto, diferenciada da nossa. Porém, isto não significa ou é impedimento para que não interatuemos com eles ou junto deles. A nossa falta de percepção ou de consciência dos fatos, deve-se a que a maioria destas interações ficam "desapercebidas", ocorrendo no campo da inconsciência ou subconsciência, para a grande maioria de nós outros.

Mas, seja como for, na medida que vamos nos alinhando a certas condutas e comportamentos, vamos atraindo seres correspondentes (correlatos) que passam a se consorciarem conosco, por se encontrarem na mesma faixa de sintonia e vida. E, com isto, vamos complicando nosso ecossistema. Sim, somos um "ecossistema" formado de diversos microcosmos, tais como: O organismo físico, o emocional, o mental, o consciencial, o espiritual e et cetera. Daí a multiplicidade de doenças e complilcações, nestes diversos organismos, com as quais a ciência, a medicina e as religiões se veem a braços.

Por conseguinte, observando as variedades de espécies de cobras existentes no mundo físico, na Natureza, podemos ver a correlação com diversos tipos de pessoas e seus comportamentos infelizes. E como o Universo é regido pela Lei de Causa e Efeito, todo produto, subproduto ou resultado infeliz decorrente destes fatores, nos vinculam ao Mal, inapelavelmente. E, neste contexto, não adianta as argumentações e justificativas sofísticas que buscamos promulgar em nosso favor ou não necessariamente!

Até mesmo porque, seria de se perguntar, nós temos "consciência" suficiente para sabermos definir e distinguir se o prazer e etc. que estamos obtendo (colhendo) com tal ou qual ato, atitude, comportamento, sentimento, pensamento e etc. está nos vinculando ou não ao Mal? Se nos comprazemos "naquilo", a nossa tendência inconfessável é de defender a "infelicidade", promovida e sustentada por nós, como felicidade! Em um processo de autoengano e autoilusão!

Por isto...

Estejamos atentos, até mesmo porque as "cobras humanas", além de se perfilarem à outras "cobras", que existem além da dimensão física (em referência a esta, na qual vivemos por hora), estão com os dias contados sobre a Terra (em quaisquer uma de suas dimensões). Pois, todas elas serão degredadas (exiladas) para outros mundos primitivos que existem na vastidão imensa da Casa do Pai, na conformidade e sintonia daquilo que se é ou do que nos fizemos ser, ou nos tornamos!

E nunca podemos esquecer: Podemos enganar a nós mesmos, podemos enganar aos outros, porém, jamais, conseguiremos enganar a Justiça Divina e a seus representantes!


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

SENSIBILIDADE PSÍQUICA


Fato inegável é que todos os seres humanos são dotados de uma mente. E, também, fato é que não se conhece com exatidão as potencialidades mentais dos seres humanos.


Somos seres sencientes. Por conseguinte, a questão é saber qual o grau de nossa lucidez mental. E, neste aspecto, podemos dizer: Depende de cada um e de sua caminhada ao longo das diversas Vidas. 

Resumindo: Não há como negar que todos nós somos seres perceptivos. Deste modo, todos nós, percebemos e, consequentemente, reagimos, mais ou menos, às ondas mentais uns dos outros e de seres que estão além da dimensão física (percebida por nós, através de nossos cinco sentidos). Em outras palavras, podemos ser mais ou menos conscientes das ondas mentais. E esta diferenciação perceptiva e reativa deriva de muitos fatores. Porém, um destes fatores que leva as pessoas a não terem consciência, com certeza, é o Estado Consciencial de Sono no qual a maioria dos seres humanos vivem mergulhados nele. Mas, busquemos exemplificar a situação no plano prático! 

Quando alguém fala de nós (não importa se bem ou mau), a percepção deste fato irá depender do Estado Consciencial em que o ser vive. Outro fator importante que não podemos perder de vista, nosso estado consciencial varia ao longo de um período de tempo. Mas, retomando a exemplificação: Digamos que o sujeito A fale de B para a pessoa C. Diante disto, a percepção da persona B dos fatos ocorridos, ou seja, sobre a conversa entre A e C sobre ele, irá depender de seu nível perceptivo. Ele poderá ter nenhuma consciência (percepção) do acontecido, poderá ter alguma consciência ou poderá ter total consciência.

Além disto, entre estes três níveis, ou estados, ou possibilidades e etc., conforme queiram definir, existem milhares de condições ou possibilidades intermediárias, variando tanto quanto existem diferenciação entre os indivíduos.

Muito bem, o fato de uma determinada pessoa não ter nenhuma consciência da ocorrência, não significa que ela não sentiu, ou não percebeu, o acontecimento em algum grau ou nível qualquer. Ou seja, sempre sentimos e vamos sentir! Explicando em outras palavras: Sempre percebemos! O problema é: Qual o nosso grau de lucidez, ou de desenvolvimento sensitivo ou de nossa sensibilidade psíquica para termos consciência ou não dos eventos ocorridos (ou que esteja acontecendo no momento)?

Na perspectiva contextual ora em pauta, acontece que estas percepções caíram a nível de inconsciente e com isto, ou por causa disto, passaram desapercebidos consciencialmente para a pessoa. Em outros termos: Não tomamos consciência da ocorrência. Entretanto, nem por isto, isto significa ou quer dizer que não tenhamos recebido as ondas mentais e daí termos deixado de reagir aos fatos, mesmo que inconscientemente. Sim, não percebemos a nível consciente, porém reagimos inconscientemente. E mais: Reagimos de diversos modos, a depender de cada um. Por exemplo, uns podem ficar irritados, sem motivos aparentes. Outros, ficam inquietos. Aqueloutros, sentem uma sensação estranha, um incomodo qualquer. Outros tantos, tem reações orgânicas, tais como: Orelha queimando, um incomodo na região da barriga, um calafrio pela espinha dorsal, um arrepio... E vai por aí afora...

As reações podem perpassar pelos níveis emocionais, psicológicos e orgânicos. Significa que podem ocorrer: Apenas a nível emocional, ou apenas no orgânico. Ou, em dois deles. Ou, ainda, nos três níveis ao mesmo tempo. Tudo isto dependerá das capacidades e do desenvolvimento psíquico de cada indivíduo. Por conseguinte, variando infinitamente!

Na segunda situação, significa que outras pessoas podem ter mais ou menos consciência dos fatos. Existem aquelas que se encontram à mercê destas circunstâncias, vivendo uma vida de sofrimentos, dificuldades e etc. Também existem aqueles que conseguem criar uma barreira, em maior ou menor grau, a depender de seu potencial, da capacidade alcançada pelo indivíduo, do amparo ou ajuda espiritual que recebem e etc..

Porém, o assunto é amplo e complexo e demandaria um livro se fôssemos abordar todas as possibilidades, nuances, situações e etc. Aqui, visamos apenas traçar algumas linhas gerais, somente para lançar algum esclarecimento ou trazer alguma luz em torno de um tema tão complexo, empolgante e muitíssimo interessante. Pelo menos, nós assim o consideramos!



sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O PÓ DAS SANDÁLIAS

Quando o Senhor nos recomendou sacudíssemos o pó das sandálias, ao nos retirarmos dos lugares em que a nossa cooperação fraternal ainda não se mostrasse suscetível de ambientação e reconhecimento, não nos induziu à indiferença, ao relaxamento ou à dureza espiritual.

É que o amor-próprio, quando destrutivo em nossa personalidade, nos compele a resoluções e atitudes negativas que, de nenhum modo, se coadunam com o programa cristão que fomos chamados a desenvolver.

O pó das sandálias é a preocupação doentia de recebermos o incenso das considerações sociais, a tristeza improdutiva, diante da calúnia ou da perversidade, a dilaceração inútil perante a ignorância dos outros, o anseio por resultados das nossas ações mais elogiáveis, no campo imediatista da vida, a revolta contraproducente junto às sombras do mal, a indisciplina, ante as ordenações transitórias do mundo, o desânimo à frente das dificuldades, o desalento entre os obstáculos naturais do caminho, a exigência de compreensão alheia, no capítulo de nossas manifestações pessoais, os melindres da suposta superioridade em que, muitas vezes, nos enganamos no próprio íntimo, a desistência da boa luta ou a deserção perante a dor.

Semelhantes estados espirituais simbolizam o pó das sandálias que nos cabe alijar, sem delonga, nos mínimos desequilíbrios entre a vida e nós outros.

Esqueçamos tudo o que nos incline ao resvaladouro da inutilidade e marchemos para diante.

Grande é o campo da Terra e até que a ventania e a tempestade possam remover os tropeços de muita paisagem empedrada e escura na gleba do Planeta, prossigamos semeando o bem, cultivando-o e defendendo-o, em todos os setores de nossa tarefa, convictos de que a plantação da luz produzirá os resultados da felicidade e da perfeição para a Vida Imortal.

- Emmanuel in Perante Jesus


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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

UM ANO VOOU NAS FOLHAS AO VENTO

Para tua e nossa sorte, Hellmanns nem sempre será maionese.

No decorrer deste ano, estivemos assentando-nos em mesa simples e rústica. Procurando matar a fome de pobres criaturas, faltas de um a tudo... Mas, fomos carregados em mãos nuas e calejadas, pelos caminhos empoeirados das serras sem cultura, dos cerrados agrestes, até chegarmos à mesinha rústica de um rancho de capim, à beira de pequeno riacho...

Levados sob o calor escaldante de um sol desabrido, estragamos... Mas, maionese é mesmo assim! Se perde com facilidade... Como rosas frágeis que se despetalam ao menor toque de um leve carinho.

Então, em vez de matarmos a fome daquelas criaturas temerárias, provocamos tremenda diarreia nos desprevenidos de ocasião. Porém, não chores por não ter sido desta vez. Outras, não nos faltarão.  Consequentemente, após as duras lutas desta vida, em outra vida, eles também se levantarão!

O Pai, Amando, sempre zela pelos seus filhos arruadeiros e/ou calaceiros. Ele compreende e aceita, até certos limites, nossas dificuldades e traquinagens... Esgotadas as possibilidades, empedernidos e travessos, o Pai Sapiente e Sereno, renova as paisagens, transforma os tempos, revolve os caminhos... E Helmanns não é mais maionese.

Lá, agora, vamos encontrá-la, renascida, esplendorosa e bela, em mesa fausta e lustrosa, sobre guardanapos de linho fino... No dealbar da forja dos tempos, encontramo-la após ser macerada, não mais sob pés calosos de trabalhadores braçais, mas esmagada pelas retortas da tecnologia avançada, engarrafada como fino vinho... Não sei dizer se tinto ou seco, afinal, meu paladar de moço pobre não foi preparado para provar do prato dos deuses. Ainda não! Agora não! Um dia, talvez!

E assim, avancemos, vamos além... Acertando erros, desfazendo enganos... Aprimoremo-nos! Com vagar, mas sem desanimar, sob o peso das responsabilidades, crescemos e nos iluminemos. E, então, chegaremos a ser gente! Humanos, afinal! Anjos!

No entanto, é todo um processo. É toda uma caminhada que não precisava ser de dor. Avancemos porém, com destemor, decididos... A Eternidade nos aguarda, em eterna e gloriosa espera... Aliás, sob véu do espelho das águas tranquilas, estamos mergulhados nela!



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1) Singela homenagem a todos os homens, mulheres, crianças... a todos seres... 
2) Um dia, renascido entre humanos de carne e osso, tive uma irmã que se chamava Relma....... Mais nova do que eu 1 ano, neste dia, 06/11, faz um ano que foi apressada, sem fazer as malas, na minha frente, desbravar novos caminhos, acertar passos trôpegos, como são todos os nossos. Não preciso dizer: Deus esteja contigo, pois Ele sempre está junto a todos nós. Porém, que possamos, nós outros, estarmos sempre com Ele.



segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A MINHA HISTÓRIA


OU A HISTÓRIA DE MINHA VIDA

Acho engraçado ver as pessoas falando em escolhas. Para existir escolha, você deverá, antes de tudo, conhecer os dois lados.  Sem isto, não se pode falar em escolha.

Eu escolhi meu caminho, pois fui atrás... Meus pés e pernas percorreram muitas e muitas estradas empoeiradas por esta vida. E para isto, apanhei bastante, mas também bati. Antes, não o tivesse feito, mas, infelizmente, desavisado e imaturo... o fiz. Faz parte do processo, creio! Assim, tenho as costas lanhadas. Como soldado de guerra, guardo profundas cicatrizes... Orgulho-me de muitas delas, apesar das “calientes” lágrimas que me custaram... Mas, com o passar do tempo, me parece que valeram cada gota!

Bom, tive de brigar e muito pelas minhas escolhas, pelo que procurava (a Verdade), pelo que queria.  Considero-me um Buscador da Verdade. Não importa onde ela esteja, vou atrás. E foi por este fato mesmo que fui taxado, por meu pai, de filho do demônio. Não importa, se este era e foi o preço a ser pago para ir atrás da Verdade, que seja. Ele assim me taxou porque não aceitei o jugo religioso que quis me impor. Não aceitei a canga que quiseram enfiar-me no pescoço em nome de Deus. Por isto, meu pai disse-me que eu era um amaldiçoado... Um filho do demônio... Não me reconhecia como seu filho.

Portanto, meus amigos e amigas, minhas escolhas tiveram um alto preço. Porém, seja como for, escolhi mesmo assim. Escolhi conhecer, saber, compreender por mim mesmo. Nada de aceitar por aceitar. Certamente, fé cega não era meu forte desde a minha infância. Então, quis conhecer, quis saber. E fui procurar saber. Não fiquei parado. E, aí, foi um Deus nos acuda. Mas, valeu a pena... Valeu cada centavo!

Conseguintemente, fui um desbravador de meu país interior. Iniciei meus estudos com o mundo mágico de Monteiro Lobato, aos 12 anos de idade. Com 15 anos já tinha lido a Bíblia de ponta a ponta... Passei para os quadrinhos, eitá mundo mágico de possibilidades. Visualizava aqueles personagens e me perguntava se era verossímil, se eram possíveis.

E assim dei um salto para o terreno da Ufologia... Já tinha ouvido estórias, desde a roça, no interior bravio, onde nasci à beira de um rio. Eram luzes misteriosas. Diziam, às gentes da região, ser a mula sem cabeça, o boi-tatá. A mãe do ouro! Talvez, por isto, o salto para o mundo fantástico de Monteiro Lobato não foi coisa tão estranha.

Sem saber onde procurar, me vi apaixonado pelo mundo das Artes Marciais... Queria conhecer, saber sua filosofia... Conhecer suas práticas meditativas da inação na ação. Coitado de mim! Por aqui, no Ocidente, tal com aconteceu com a Yoga, conhecemos só o lado externo do assunto. Os exercícios físicos! Assim, vaguei entre Judo, Caraté, Taekwondo e Capoeira... Fiquei um pouco satisfeito no Tai Chi Chuan. Porém, não foi o suficiente!

Depois desse périplo, antes de avançar pelos campos da Ufologia, tentei a Ciência, em particular, a Astronomia...  Falava-se na época de buracos negros, se existiriam ou não; especulava-se sobre os Quasares e coisas tais... No entanto, esse campo era por demais estéril para mim, apesar da beleza do Cosmos para o qual fiquei apaixonado até os dias de hoje.

Deste modo, fui acalentar-me nos braços da Ufologia... Com ela vi meus interesses despertados pelos poderes da mente humana. Corri atrás e entrei no mundo misterioso e oculto da Parapsicologia... Fui conhecer os Faquires, as pesquisas, as conclusões... Mas, este mundo me deixou sedento. Não me satisfez.

Então, fui aplacar, em parte, a minha sede, no mundo da Yoga ou Yôga. Que importância tem? Sei lá, não estava preocupado com isto; mas, sim, com os tesouros ocultos, as pedras preciosas que a Yôga detinha. Isto sim! Estudei a Raja Yoga, a Gnana Yoga, a Hatha Yoga, a Bhakti Yoga e vai por aí afora. São tantas yogas. Porém, o Ocidente, de um modo geral, só conhece a Hatha Yoga... Fazer o quê?! Paciência!

Seja como for, ainda existia uma sede implacável em meu interior, queria saber mais. Descobrir! Então, mergulhei no mundo do esoterismo, do oculto... Fui saber acerca da Doutrina Secreta, Teosofia, Rosa-cruzes (que existem, pelo menos, umas três: A Amorc, a Aurea e a Hermética). Adentrei o mundo do Hermetismo, dos Cavaleiros Templários, em cuja ordem, fui convidado a entrar. Mas, novo, aos 18 anos, ir para a França era algo impensável para mim. Tolo ou talvez nem tanto; não fui. Fiquei por aqui mesmo, estudando a Astrologia, o Tarô e coisas tais.

Mergulhei mais fundo ainda: Fui saber acerca da Maçonaria, do Gnosticismo... Conheci Heráclito pelo qual me apaixonei também (devia ser os hormônios da juventude), depois Carlos Castañeda e adentrei-me no mundo mágico do Xamanismo. Vi muitas coisas; sondei alguns mistérios, diversas profundidades...

Com este dealbar de dimensões, vim a conhecer a psicologia esotérica pela qual me apaixonei até os dias atuais, apesar de esta paixão ter-me levado a repudiar a psicologia acadêmica, por parecer ter ficado um tanto pobre para mim. Fazer o quê, não é?! Talvez, devesse ter mergulhado em Wilhelm Reich, Wilhelm Wundt, Sigmund Freud, Carl Gustav Yung e etc... Mas, os vi apenas de raspão. Já estava fascinado pelo espírito, pela espiritualidade... Apesar dos meus vários e muitos preconceitos contra o Espiritismo, talvez, porque, de início tivesse andando pelo Presbiterianismo, pelas Igrejas da Assembleia de Deus, cheirado as Testemunhas de Jeová, Catolicismo... No entanto, estas religiões oficiais nunca conseguiram me satisfazer, desde o início. Via muitas falhas e erros em seus profitentes... para poder olhá-las com bons olhos.

Também bati às portas do Budismo, do Zen, do Budismo Tibetano que é um tanto diferenciado... Ahhh que saudade de Lobsang Rampa. Coitado, como malharam este sujeito. Também fui estudar as religiões da Índia... Nooossa, o ocidente hoje está sendo a Índia de ontem, como eles possuem derivações religiosas...

Rapaz, meu currículo é vasto. Fundei grupos, participei de vários grupos... Percorri comunidades... Estive em rodas de Umbanda no meio dos matos... Conversei com Espíritos... Fui estudar Gurdjieff por quem me apaixonei. Longos anos de estudos, meditações e práticas, mas ainda não estava totalmente satisfeito. Sentia falta de algo. Alguma coisa não estava no lugar... E quando o descobri o que faltava: Ahhh, que delicias...

ERA DE JESUS. Comecei minha caminhada com Ele, através das letras da Bíblia, entretanto, no meio do caminho o abandonei, para descobri-Lo muito depois, no seio do Espiritismo. Hoje sou Espírita. Mas, não larguei a Protoánalise que é um cabedal de conhecimentos humanos...  O classifico também dentro do conceito das psicologias esotéricas. Ah, é, e os Sufis... Sim, cheirei-os também. Pude sentir seu perfume. E Rajneesh... Pois é, bons tempos...

Acho que não consigo falar de tantas culturas e tantos grupos de que participei. Sempre um ou outro fica para trás, perdido nas vagas da memória e das lembranças.

Então, não vem você me falar de escolha. EU ESCOLHI SER ESPÍRITA! Não fui escolhido, não cheguei aqui ao acaso. Olhe a minha caminhada e vá percorrer todos estes caminhos e estradas se quiser debater comigo sobre a questão de escolher. Conhecer apenas um lado da moeda não faz de ninguém um doutorando nesta questão. Quanto a mim, eu escolhi ser o que sou e estar onde estou, pois andei por muitas estradas, ruelas, vielas, por matas virgens... Meus pés ficaram calejados pelos espinhos de juás e outros calhaus. Então, posso dizer que foi uma questão de escolha!

E este é um resumo de meu pequeno currículo, lavrado entre lágrimas, suor, lutas e bolhas nos pés!

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

QUALIDADE DE VIDA, O QUE É?


Recebemos um e-mail de uma leitora de nossas páginas acerca do texto de Agnaldo Paviani, APRENDA A TER QUALIDADE DE VIDA, inserido em seu livro: É HORA DE SER FELIZ, capítulo que publicamos em nossos blogs CANTEIRO DE IDEIAS. Diz ela:

"Por favor, se liga nisto que te falo agora!!! Mas, pondera com o coração.
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O dia que QUALIDADE DE VIDA, não estiver atrelado ao SUS pra cuidar de algum distúrbio na saúde, que você não depender da rede publica para os exames que ainda vai agendar e esperar a vaga... (esperei dois anos por uma fisioterapia); quando não precisar gastar dos seus 725,00 reais mensais, uns 120,00 reais para duas qualidade de frutas no mês, olhar para uma uva de 8,00 reais o quilo, ou frutas de melhor qualidade e simplesmente voltá-las para a banca, porque vai fazer falta para o basicão: gaz, energia, água, material de limpeza, arroz, óleo, feijão e adjacentes, e no meu caso farmácia, então poderíamos falar que dinheiro não trás qualidade de vida...
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E olha que eu poderia continuar com a lista, mas seria muito enfadonho. Talvez dinheiro não compre 'felicidade' mas ajuda bastante! E como você disse: "O dinheiro proporciona conforto material, mas não consegue confortar a alma... O dinheiro é algo bom, sem dúvida, mas não pode ter prioridade em sua vida."
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Sim, talvez não, mas ele proporciona prioridades que a rede pública, a farmácia, o açougue, o sacolão, o armazém, não te prioriza! Entenda, que só quando, COM HONESTIDADE, nos falta dinheiro para o básico da vida, é que podemos opinar sobre este particular. Pense nisto com carinho e cuidado, te peço..."


Bom, um dos enganos de nossa leitora já desfizemos: O texto não é nosso, apesar de concordamos integralmente com ele.

Muito bem! Nos parece que a grande questão aqui é sabermos definir corretamente o que venha a ser QUALIDADE DE VIDA. Se fizermos uma varredura no Google a propósito do assunto, iremos encontrar muitas conceituações. Mas, uma delas nos chamou mais a atenção.

Ei-la: "Como a qualidade de vida pode ser definida? É mais uma questão de qualidade a ser buscada dentro dos programas de qualidade total dentro das empresas. É o tempo de trânsito e as condições de tráfego, entre o local de trabalho e de moradia. É a qualidade dos serviços médico-hospitalares. É a presença de áreas verdes nas grandes cidades. É a segurança que nos protege dos criminosos. É a ausência de efeitos colaterais de medicamentos de uso crônico. É a realização profissional. É a realização financeira. É usufruir do lazer. É ter cultura e educação. É ter conforto. É morar bem. É ter saúde. É amar. É, enfim, o que cada um de nós pode considerar como importante para viver bem." (Definição do Dr. em Medicina e professor pela HCFMUSP Moacyr Roberto Cucê Nobre, São Paulo, SP.)

Com base no que foi dito acima pelo Dr. Moacyr, poderíamos concluir mais acertada e abrangentemente: 

"Qualidade de vida é o método utilizado para medir as condições de vida de um ser humano. Envolve o bem espiritual, físico, mental, psicológico e emocional, além de relacionamentos sociais, como família e amigos e também a saúde, educação, poder de compra, habitação, saneamento básico e outras circunstâncias da vida. Não deve ser confundida com padrão de vida, uma medida que quantifica a qualidade e quantidade de bens e serviços disponíveis." (Fonte Wikipédia.)

Em consequência às proposições acima, quem teria qualidade de vida? Talvez, apenas e tão somente as pessoas que vivam nos países ricos e desenvolvidos possuirão uma boa qualidade de vida. No entanto, seria esta perspectiva real e verdadeira? Se assim é, então, por que países como a Suécia e Suíça, por exemplo, onde imaginamos uma qualidade de vida de altíssimo padrão, podem deter a marca infeliz de terem o maior número de casos de suicídios do mundo?

No outro contraponto, dentro deste panorama, o mendigo que podemos encontrar na rua não teria nenhuma qualidade de vida. Porém, estas perspectivas são reais e verdadeiras? Do ponto de vista material, certamente, ele não terá nenhuma. Entretanto, e se ele for alegre, intimamente feliz, estiver satisfeito consigo mesmo e der pouco ou nenhum valor à sua situação (condição) social? Teria ele, neste caso, menor qualidade de vida do que Barack Obama, atual presidente do EUA (ano de 2014), supostamente, cercado por preocupações, de ansiedade etc., concernentes à situação de seu país, sobre a situação econômica interna e mundial, ou a propósito do contexto do mundo - mormente: Rússia, Israel, Irã, Faixa de Gaza e etc.?

Assim, ao lançarmos um olhar mais profundo sobre todas estas expectativas (ideias) podemos concluir que "qualidade de vida" não poderá estar atrelado ou vinculada às questões de cunho material. E de fato não está. Ainda bem, pois, caso contrário, estaríamos vivendo um verdadeiro inferno, sem muitas opções ou probabilidades de redenção ou de ser feliz.

Qualidade de vida é um estado íntimo, uma condição da alma. Onde a paz é presença obrigatória, onde você permanece em tranquilidade, independentemente, das situações externas. É o olho do furação: Ao redor, os ventos rugem; objetos são arremessados e destruídos; é o reinado do caos. Porém, no olho do furação, encontramos a calmaria... a tranquilidade... e as luzes do Sol brilha por entre as frestas das nuvens e somos banhados em suave claridade...

Realmente, não é um estado íntimo de muitos. Entretanto, alcançada esta condição, não importa se você é presidente dos EUA ou um mendigo de rua... Não importa se você está na fila do SUS, por anos, aguardando um tratamento qualquer para sua doença incurável. Você está lá, porém em paz. Tranquilo! Compreende sua situação, e se sente preenchida por uma confiança inabalável na Justiça Divina, não titubeia ao olhar o furacão existente ao seu redor... Luta pela melhoria de sua situação física ou econômica, mas sem desespero, sem imputar culpas, sem angustias e etc.... Não teme a morte, porque, tem a certeza absoluta de que ela não existe e você continuará sempre!

Possui uma fé inabalável de que tudo que lhe acontece é para seu bem, pois Deus é Amor.

Realmente, bem poucos possuem tal satisfação íntima. Satisfação que não está atrelada à sua condição orgânica (física), social, cultural, econômica e etc. Ao seu redor, a tempestade ruge. As ondas das discórdias, da ignorância gritam alto, mas você se encontra em paz! Sua consciência se firma na certeza do dever cumprido e na retidão da conduta cristã. Não há paz maior do que está.

Lá fora, pessoas correm desesperadas atrás dos confortos materiais, de uma condição social mais favorável... Passam a vida dando pernadas uns nos outros para levar um mínimo de vantagem... Querem aparecer nas mídias sociais... É a ditadura da imagem, do parecer... Se agitam e se contorcem para conseguir comezinhos detalhes de uma ilusão passageira... Mas, aquele que já compreendeu, que se conhece, em sua intimidade, reina a paz. A certeza de que a Vida verdadeira é mais do que isto. Não é ter, é ser!

Não é o fato de uma doença lhe corroer as entranhas que ela lhe tirará a qualidade de vida, porque você sabe: Você não é a doença... Você está, momentaneamente, doente! E esta doença é apenas um método educativo, de que ainda precisa por não ter conseguido aprender corretamente a lição ministrada anteriormente. Então, você sabe, pois se conhece, está consciente. Muitos pensam que estão conscientes, mas não estão: Dormem! Você está consciente quando você tem a mais absoluta certeza: Deus não é vingativo, É AMOR! Deus não pune, EDUCA! Não castiga, CORRIGE! E etc....

Você está consciente, quando percebe seu corpo, o sente, sabe que está aqui e agora! Neste estado você não está imaginando, fantasiando... ou, sonhando de olhos abertos... Você sabe quem você é, sabe onde está, porque está onde está e como está. Além de tudo, sabe para onde vai! Ou seja, qual é o seu destino final! Para onde irá! Você se vê e vê o outro! Enxerga as motivações...

Na outra ponta da linha, quem se encontra adormecido se apega à uma fé cega, porque destituída de razão, de lógica...  Não detém bom senso!!! Para eles, é a palavra que vale, pois foi fulano quem disse, foi Deus quem disse! Ah é, disse mesmo?! Certeza?! Eles tem. Como? Não sabem, mas tem! Então se foi Ele quem disse, por que não diz sempre? a toda hora? Por que calou? Ficou mudo? Perdeu a língua?... Loucuras de uma concepção puramente humana e nada mais!

Quem está acordado (consciente) tem a certeza fundada na razão esclarecida. Vê e compreende além. Não se apega a papéis, papiros, palavras... Ele conhece a si mesmo. Sabe de onde veio, onde se encontra e para onde vai.

E, deste modo, ele não se revolta. Pois, compreende! Pode agir com bravura, para alguns; com aspereza, para outros; mas, intimidade, ele está tranquilo, sereno, em paz! Então, compreende que, quando Jesus expulsa os vendilhões do templo (Mateus 21:12 e João 2:15), Ele, o Mestre, estava intimamente sereno, tranquilo... em PAZ!!!

Viver neste estado é TER QUALIDADE DE VIDA, independentemente de sua situação ou condição exterior.

Ele está presente, diante de si mesmo. Ele encontrou a paz íntima diante de uma vida-furacão, jugulado pela doença ou por uma situação difícil; ou, antes, vivendo numa sociedade-furacão dominada pelo ruído, pelo movimento e por um ritmo de vida cada vez mais acelerado e alucinado. E esse mesmo furação, símbolo vivo do movimento, da destruição, do conflito, da agitação, do caos... possui no seu centro um ponto onde a paz permanece inalterada: É o olho do furacão!

Alguns podem afirmar que alcançar este nível é impossível. Não, não é! Será, se não houver nenhum esforço, nenhum trabalho para alcançá-lo. É uma questão de atitude, de disposição, de esforço, de trabalho, mas antes de tudo: De conhecimento. Sem conhecer, não saberemos para onde ir ou o quê fazer.

Pense nisto:

1) Existem três atributos da matéria. Eleva-te acima desses três atributos, se queres ter qualidade de vida. Liberta-te dos contrastes das forças opostas da Natureza, firma-te sempre na consciência do teu Ser Real, despreza a avidez das possessões materiais, concentra-te em ti mesmo e não te entregues às ilusões do mundo finito.

2) Fique atento às tuas ações, pois uma vez iniciada, as consequências serão inevitáveis. Mesmo que consigas o intento delas, se o teu próximo foi prejudicado, criastes um Kharma que deverá ser resgatado em tempo oportuno.  Se tua ação promoveu o bem do próximo, terás gerado um Dharma. Por conseguinte, atente bem ao princípio: Quem semeia vento colhe tempestades! Quem planta boas sementes, colherá bons frutos! Isto é inevitável e inviolável.

3) O homem que anseia pelos objetos dos sentidos, a eles se apegam; do apego nasce o desejo, do desejo a paixão. A paixão gera a ilusão, a ilusão leva à perda da memória; da perda da memória resulta a perda da razão e da lucidez e, com isso, perde-se o homem totalmente.

4) O coração do homem é como um oceano para o qual afluem todos os rios... Se, apesar disso, permanece constante e não sai dos seus limites; se o homem sentindo o ímpeto dos desejos e das paixões, mas todavia permanece imóvel; esse alcança a paz. Porém, aquele que se entrega aos desejos, não conhece a paz e se torna escravo dos desejos inquietantes.

5) A ação poderá ser interessada, visando a um resultado, pleno de desejos, ou desinteressada. A ação desinteressada é a única que poderá libertar o homem pois, nela não existe apego, nem a ideia da permanência ou a busca de segurança em um mundo em que todas as coisas são transitórias. Todos aqueles que violam essa norma natural pecam contra a sua própria natureza, e irão colher os resultados inevitáveis dessa cegueira fundamental diante da realidade dos fatos.

Comece com estas orientações e, depois, mais amadurecido, outras virão ao seu tempo.

Paz e alegria!

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

MEDOS...

PREÂMBULO

Falaremos hoje, um pouco, acerca dos MEDOS. Recebemos uma solicitação amiga pedindo-nos para falarmos alguma coisa sobre o medo "desde o ponto de vista da Doutrina Espírita".

Antes porém, acerca desta questão, "desde o ponto de vista da Doutrina Espírita", devemos efetuar os seguintes esclarecimentos: O bom da VERDADE é que ela não tem bandeiras e, menos ainda, não é propriedade ou direito restrito de qualquer grupo ou pessoa, seja ele religioso ou não.

A Verdade simplesmente é, ou seja, ela é o que é independentemente de quem lhe defenda ou lhe ataca. Em outros termos, ela existe por si mesma e está acima de quaisquer discursos ou desentendimentos. A Verdade não se sujeita aos nossos padrões e conceitos.

Por conseguinte, a Verdade não é Espírita, não é Católica, não é Protestante, não é patrimônio exclusivo dos Evangélicos, dos Espiritualistas, dos Esotéricos, dos Budistas, dos Induístas, Xintoístas, do Xamanismo ou das Ciências e etc. Não importa qual ramo de conhecimento ou de filosofia que a divulgue, a propague ou proponha, proíba e etc.. A Verdade, necessariamente, será verdade e tem de ser verdade em todas as épocas e linhas de pensamento, não importando o que se diga a respeito dela.

Se "algo" que é dito em um ramo do conhecimento é desmentido em outro, há algo de errado. Alguma coisa não está batendo, ou foi mal entendida, mal interpretado e etc. A Verdade sempre será verdade mesmo que não aceitemo-la ou não consigamos entendê-la.

Sendo assim, vamos encontrar a Verdade, desde que seja realmente verdadeira, nos mais diversos campos do pensamento humano. Por exemplo, se a informação "a Terra gira ao redor do Sol" é verdadeira, ela tem de o ser tanto na área das ciências, quanto na religiosa, na filosófica e etc. A Verdade não pode ser verdade aqui (por exemplo, no Espiritismo) e mentira na área científica.

Compreendido isto, devemos entender que nós outros, através de instrumentos diversos ou fundamentados em nossos sentidos, na lógica, na inteligência e etc., interpretamos a Verdade, porém, como não poderia deixar de ser, dentro de nossas limitações e dificuldades, o que pode nos levar a erros e desacertos, em relação à Verdade, proporcionais, é claro!, aos parâmetros com os quais a estamos aferindo. Daí encontrarmos tantas contradições, intolerâncias e etc. nos diversos setores do conhecimento e das interações humanas.

Voltando nosso olhar para além das personalidades humanas, ou seja, extrapolando-nos como pessoas, vamos encontrar correntes de pensamentos, religiosas, de ideias, de filosofias e etc. que nos descerram a Verdade mais ou menos desvestidas das roupagens ilusórias, mitológicas e fantasiosas que nossas limitações e problemáticas lhe impusemos ao longo do tempo e da própria trajetória evolutiva dos seres humanos.

Dentro desta perspectiva, encontraremos as luzes do Consolador, fazendo brilhar em nosso plano (dimensão) de vida, com extremado respeito aos nossos limites, trazendo a Verdade percebida por aqueles que se encontram além da matéria densa (física), acerca de várias e várias questões do interesse humano.


ÂNGULOS DOS MEDOS

Após este rápido introito, tentaremos abordar a questão do MEDO trazendo algumas angulações exequíveis do mesmo. Entretanto, é bom que se diga, desde o início, que não temos pretensão de explicar o medo sob todas as suas possíveis fáceis, esgotando o assunto. Mesmo porque isto não é tão simples e fácil assim para que possamos adentrar em todos os ângulos do tema, resumindo-o, em tão poucas linhas. Neste trabalho, nosso objetivo é trazermos algumas diretrizes, indicar algumas direções, apontar algumas nuances de abordagem da problemática e é só.


O MEDO E O SER ESPIRITUAL

Todos nós somos seres espirituais em evolução. Isto é, somos espíritos em processo evolutivo. E o medo é uma das bases em que se assenta a evolução do ser. Nesta direção vamos encontrar um encadeamento no processo construtivo do MEDO: O instinto de Conversação, presente no ser espiritual (Espírito ou Princípio Inteligente), leva à geração do egoísmo (EGO) que irá desencadear o aparecimento ou a criação das Paixões. O Medo é uma das Paixões básicas (primárias). São nove, as paixões básicas, as outras são: A Preguiça, a Ira, o Orgulho, a Vaidade, a Inveja, a Avareza, a Gula e a Luxúria. Destas Paixões se originam todas as outras emoções que podem prender (ligar, atar, unir) o homem à materialidade, ou ao Universo Material (Questão 907 e seguintes de O Livro dos Espíritos).

Ao mesmo tempo, são também as bases do processo evolutivo do ser, que, superando-as, conseguirá se projetar numa dimensão diferenciada da Vida, onde não temos palavras para descrever as inter-relações dos seres e seu labor no Universo. Na medida que vencemos nossas paixões, trabalhamos no aprimoramento de nosso carácter e às nossas Virtudes vão encontrando boa terra para florescerem.

Portanto, se o Universo é regido pelo yin e yang (dualismo), vamos encontrar como contraponto das Paixões, as Virtudes, que são, verdadeiramente, as molas propulsoras dos sentimentos nobres, os quais são, de fato, a esteira ou os guindastes que nos levarão ou içarão às dimensões superiores do existir, dentro da Eternidade Divina. Porém, não vamos aprofundar nesta estória, pois nossa questão aqui é tratarmos do tema MEDO.


MEDO

Se não existisse o sentimento (sensação) e a emoção de MEDO, a humanidade não teria chegado até aqui. Portanto, ele é necessário não somente à sobrevivência do ser, mas faz parte do processo evolutivo dos espíritos (cfe. dissemos acima).

Em consequência, o MEDO passa a se tornar um problema quando nos impede de avançarmos, ou de nos autossuperarmos, ou de vencermos alguma dificuldade, limites etc. Como nos lembra muito bem O Livro dos Espíritos, na questão 907, as paixões (e dentre elas, o medo) apenas se torna problema em seu excesso. Ou seja, se o MEDO se torna exacerbado ou excessivo, ele volta-se paralisante ou impeditivo. A partir deste momento, torna-se um obstáculo. Por consequência, neste caso, é ruim e se transforma em algo mal, por alimentar ou gerar em nós desequilíbrios, transtornos, paralisias e etc.

Todos os seres que ainda não alcançaram a iluminação (a consciência plena de si mesmos), vivem presos nas redes (malhas, tramas) do MEDO, em maior ou menor intensidade. Sob este ponto de vista, da utilidade do medo no processo evolutivo dos Princípios Inteligentes do Universo, poderíamos classificá-lo à parte, uma vez que este medo é derivado tanto de fatores endógenos (internos) quanto exógenos (externos) ao mesmo tempo. Sob outro ponto de vista, indo além desta perspectiva, iremos encontrar outros fatores - geradores ou desencadeantes - do medo, os quais poderíamos classificá-los ora como sendo endógenos, ora como exógenos.


FATORES ENDÓGENOS

Como fatores endógenos, podemos citar duas fontes: Processos Mediúnicos, isto é, de sensibilidade (perceptivos) do próprio ser e a Configuração do Perfil Psicológico dos seres (Espíritos).

+ PROCESSOS MEDIÚNICOS

Em nossa experiência pessoal, temos observado ao longo do tempo que aquelas pessoas possuidoras de uma sensibilidade maior, ou mesmo de uma mediunidade mais ou menos ostensiva, possuem um temor ou MEDO mais exacerbado, principalmente, dos espíritos ou dos fenômenos paranormais (ou sobrenaturais).

Estes indivíduos, trazendo compromissos de refazer os próprios caminhos, ajudando o próximo, mormente, àqueles que prejudicou no passado (existências anteriores), sentem estas repercussões e temem. Eles tem MEDO de falhar, de cometer (repetir) os mesmos erros e etc. Também tem MEDO dos adversários que se aproximam, vibrando nas linhas da revolta, do ódio e etc. e, por ressentirem, no próprio organismo, as repercussões destas vibrações antagônicas, o medo desponta, levando-os a recuarem e, mesmo, a negarem a própria sensibilidade (percepções). E é precisamente aqui que mora o grande perigo!

Recuar é abrir falência e ab-rogar os compromissos assumidos, se comprometendo e se complicando ainda mais para o futuro, seja próximo ou longínquo. Os sensitivos que recusam lançarem mão da charrua, se dispondo e saindo à campo, no cumprimento dos deveres assumidos, abrem as portas de seu ser para as mais variadas complicações, tanto em níveis emocionais, psicológicos e/ou espirituais. Ao não atenderem aos compromissos (chamado), acabam por caminharem nas linhas dos regastes mais dolorosos, através dos sofrimentos purificadores e doenças várias, tanto no campo somático quanto no  emocional, ou mesmo intelectivo.

As pessoas que demonstram deterem percepções no campo mediúnico devem procurar estudar, se informarem e se esclarecem, colocando-se sob a orientação de seus Mentores Espirituais, se preparando para cumprirem com os compromissos assumidos (mandato mediúnico), trabalhando deste modo pelo seu resgate e sua liberdade, a qual foi comprometida no ontem, em razão de comportamentos e atitudes desequilibradas, tanto em relação a si mesmos quanto relativamente ao próximo.

+ CONFIGURAÇÃO PSICOLÓGICA

Os seres humanos se configuram dentro de alguns padrões emocionais e intelectivos que podemos catalogar a partir de algumas características psicológicas. Todos nós possuímos um Traço Principal, alicerçado nas Paixões, que conformará nosso carácter, ou seja, o nosso jeito de ser, de perceber o mundo e de interagir com as pessoas. Uma destas categorias, sob a perspectiva emocional, são a dos Medrosos. A classificação destas categorias possui relações diretas com a expressão dos sete Pecados Capitais, acrescidos do Medo e da Vaidade, perfazendo um total de 9 tipologias básicas de seres humanos.

A classe dos Medrosos se exprime, emocionalmente, sob o colorido do medo. O teor de sua vida emocional está encharcado ou embaciado pela emoção e/ou sensação de medo.  Consequentemente, por trás de todos os seus processos emocionais vamos encontrar, na base dos mesmos, a presença do medo. E esta presença irá definir seu estilo de vida, seu modo de ser, de agir, de atuar e reagir; enfim, suas dificuldades e limitações serão definidos pela existência de um medo, que, na maioria das vezes, não é perceptível à própria pessoa, porém é atuante e está subjacente na vida emocional destas pessoas. Obviamente, esse colorido emocional irá ter maior ou menor relevância na conformidade (proporção) da situação e do contexto evolutivo de cada um.

Seja como for, a Vida (ou seja, tudo) será visto e percebido através desta ótica (colorido) especial, no caso que ora estamos tratando, pela presença de um medo que pode ser difuso ou não necessariamente. No entanto, este é um tema bem mais complexo, o qual nos exigiria a escritura de alguns livros para podermos abordar todos os ângulos da questão. Logo, deixamos aqui apenas algumas linhas para se entender os movimentos gerais da questão das paixões e, no caso que estamos tratando mais especificamente, da Paixão do MEDO.


PROCESSOS EXÓGENOS

Quanto aos processos que poderíamos classificar como exógenos, traremos nesta linha de classificação, os Processos Espirituais (chamados, no Espiritismo, de Obsessivos) e as Reencarnações Transatas.

+ PROCESSOS ESPIRITUAIS

Em primeiro lugar, estes processos ficam por conta daqueles que prejudicamos no ontem. São aqueles (homens, mulheres ou crianças) que ferimos, destruímos, roubamos, matamos  e etc. em nossas vidas transatas (anteriores). Estes corações movidos pelo desejo de vingança, de irem à desforra, nos buscam, visando trazer-nos prejuízos ou danos; levando-nos, deste modo, a não conseguirmos fazer frente aos compromissos assumidos no campo da mediunidade com Jesus. No bojo desta ideia, alimentam e fomentam os nossos MEDOS. Trazendo-nos impedimento ou até mesmo a paralisia, não apenas ante os compromissos assumidos, mas até mesmo em relação ao nosso crescimento pessoal, o qual, no fundo, é o alvo para o qual apontam seus esforços.

A par destes desavisados e atormentados (tanto quanto nós mesmos), em segundo lugar, vamos encontrar os adversários gratuitos do Bem. Ou seja, apesar destes corações não terem nenhuma relação direta conosco, desde o ontem, porém por não desejarem ver instaurados na Terra os tempos de paz, de harmonia e de progresso, nas bases do amor, da compreensão e da tolerância cristãs, labutam pela falha dos que se propõe crescer ou auxiliar o próximo. Portanto, estes corações se empenham para que o desequilíbrio e o desentendimento perpetue sobre o globo (o planeta).

Se os seres humanos não despertarem, se continuarmos mantendo o estado de Consciência de Sono no qual nos encontramos, eles continuarão tendo o controle e o domínio sobre nós. Crescermos, é libertarmo-nos do cárcere psicológico-emocional que nos encontramos submetidos, isto é, nos alforriaremos de suas garras.

Deste modo, estes adversários do bem e da luz, promovem processos que levam os sensitivos a temerem (medo), recuando frente aos compromissos abraçados em algum momento. Assim, eles alimentam os nossos MEDOS, instigam nossos temores, ou seja, amplificam os medos e receios que já trazemos na intimidade. Logo, temerosos, nós recuamos, não trabalhando para que seja implantado na Terra a Nova Era. O que nos leva a maiores complicações e sofrimentos de futuro, seja quando retornarmos ao Mundo Espiritual e/ou nas próximas reencarnações.

Acima falamos de mediunidade com Jesus. Nos expressamos assim porque, a mediunidade sempre teremos. Ou seja, uma vez sendo portadores de mediunidade não tem como jogá-la fora e ficarmos sem ela. Isto não existe. Mediunidade nada mais é do que uma capacidade perceptiva, tal como os olhos ou a audição. Mediunidade é apenas um sentido a mais, e, por ser a mais, é designado, por alguns, de sexto sentido. Consequentemente, ou a nossa mediunidade estará a serviço de Jesus, promovendo o bem ao nosso derredor; ou, ela estará à serviço das Trevas que labutam e querem que tudo fique como está. E, para que tudo permaneça do jeito que está, nada melhor do que alimentar e fomentar os MEDOS, receios e temores que trazemos na intimidade das mais diversas áreas e campos, principalmente, alimentam o medo dos espíritos e pelas questões espíritas.

+ REENCARNAÇÕES TRANSATAS

Todos nós já existimos antes. Negar isto é prova de fanatismo, ou recusa de usar o raciocínio lógico, dando provas incontestes de estupidez e ignorância. E estas duas irmãs gêmeas, nos levam aos maiores absurdos que possamos imaginar, inclusive ao fanatismo religioso, político e outros tantos.

Todas as diferenças encontradas nos seres, tanto no campo da inteligência, da aceitação de situações e contextos diversos, indo das doenças, às consequências apresentadas na vida atual, se explicam e justificam sob as luzes de termos existidos anteriormente. Não existe nenhuma outra explicação lógica, plausível e científica para tantas diferenças e para com determinadas situações de pobreza, de saúde, de inteligência, de capacidades cognitivas e etc. etc. etc.

Como alguém pode nascer doente e outro sadio? Como explicar que um nasce pobre e outro em berço de ouro? Como alguém pode nascer cego e tantos outros enxergando o que deve e não deve? Como uma criança pode nascer portanto síndrome de Down, ou câncer, paralitico e etc? e outras milhares não, gozando da mais perfeita saúde ou nem tanto?

Sem uma existência prévia do indivíduo, Deus redundaria em algo absurdo, louco, verdadeiro monstro ou psicopata. À luz da reencarnação tudo se explica e entra harmoniosamente nos eixos. E podemos ver aí a manifestação plena da sabedoria e bondade de Deus ("Sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, na terceira e na quarta geração daqueles que me aborrecem." - Êxodo 20:5.)

Sim, Ele faz esta visita porque é o próprio ser (o próprio pecador) que está retornando (reencarnando). Se assim não fosse, Deus seria injusto e alguma coisa absurdamente louca. Imagine se fôssemos caminhar pelo mundo, punindo quem não tem nada haver com os erros praticados por nós, exceto, pura e simplesmente, por ter dado um tremendo azar de nascer naquela determinada família. Isto não tem senso de justiça. Nem mesmo nas concepções canhestras dos seres humanos isto se justifica. Então, podemos ver nos postulados de algumas religiões, quando defendem a existência de uma única vida para o ser, a manifestação plena da loucura humana. Realmente, a loucura humana não tem limites!

Quanto à questão do MEDO, também este se encaixa perfeitamente neste perfil reencarnatório. Por exemplo, a pessoa tem medo de altura, de lugares fechados e etc. Mas, como? Se alguns deles nunca passaram, nem perto por situações, ou de um histórico familiar, ou de uma criação (educação) que lhes pudessem deixar algum trauma, alguma marca, neste sentido. Então, como explicar?

Assim, muitos de nossos MEDOS tem origem nas vidas transatas (passadas), isto é, nas vidas vividas anteriormente. Lá atrás, alguma coisa aconteceu ou alguma circunstância ocorreu, no passado remoto daquele ser, que o levou a manifestar, na personalidade atual, um determinado medo, temor, ou receio e etc..

Além deste aspecto, também iremos encontrar os MEDOS que tiveram seu nascedouro na vida levada pelo espírito na dimensão extrafísica ou espiritual. Além da morte, continuamos existindo "conscientemente", tanto quanto estamos aqui. Lá vivemos, agimos e fazemos "coisas". Passamos por situações diversas que podem gerar alguns dos medos e traumas que transportamos para a vida atual (presente).


COMO SUPERAR OS MEDOS?

Podemos usar várias técnicas, desde as terapias acadêmicas até o trabalho nas linhas do conhecimento de si mesmo. O certo é que, em quaisquer das linhas que viermos a trabalhar (envidar esforços), teremos de passar pelo enfrentamento emocional das causas do MEDO. E para tanto, nada melhor do que trabalharmos com a conscientização, com conhecimento de si mesmo e com a superação dos medos através da informação, do esclarecimento e da aprendizagem acerca do assunto.

Portanto, repetimos, podemos buscar ajuda nas terapias acadêmicas, no aferimento de informações sobre o assunto e etc. O conhecimento espírita, neste sentido, é uma grande ajuda terapêutica na superação dos MEDOS. E a vivência evangélica, isto é, dos postulados e ensinamentos contidos nos Evangelhos, propostos por Jesus, nos dará, igualmente, excelentes bases para superarmos nossos medos e dificuldades morais.


AINDA EM TORNO DO MEDO

Na sequência, deixaremos a indicação de alguns vídeos e livros que serão de ajuda para se iniciar o processo de entendimento do tema MEDO e dará, aos que abordá-los, algumas linhas gerais para avançarem na compreensão e superação dos próprios medos.


VÍDEOS:
Medos e Fobias (ótima e muito interessante, vale a pena assistir):
https://www.youtube.com/watch?v=ewo8SHXaP9Q#t=14

O Medo à Luz da Doutrina Espírita (muito boa, também vale assistir):
https://www.youtube.com/watch?v=2U94F7lv_5A



LIVROS POR AUTORES ESPÍRITAS:
+ Não Tenha Medo dos Espíritos
- Teixeira, Raul (autor)
- Rosângela (Espírito)
- Pessoa, Allan (ilustrações)

+ Medo - A Fraude que nos Aprisiona
- Rodrigues, Josué Douglas (autor)

+ Quem Tem Medo dos Espíritos?
- Simonetti, Richard (autor)



LIVROS POR AUTORES NÃO ESPÍRITAS:
+ Medos, Fobias e Pânico
- Possatto, Lourdes (autora)


APRENDA A TER QUALIDADE DE VIDA

Um dos graves problemas da Humanidade, na atualidade, é a falta de qualidade de vida.

Qualidade de vida não é sinônimo de ter dinheiro ou status, até porque há milionários, que possuem uma péssima qualidade de vida.

Se para ter qualidade de vida fosse necessário ter dinheiro, as pessoas ricas não ficariam tristes, não teriam depressão e não cometeriam suicídio. Se a qualidade de vida estivesse associada a status e dinheiro, os países considerados de primeiro mundo (países ricos) seriam os melhores lugares para se viver.

Muitos dizem que se tivessem dinheiro seriam felizes, mas isso não é verdade. Se fosse, os consultórios dos psicólogos e psiquiatras não seriam tão frequentados por quem tem dinheiro.

O dinheiro compra coisas, mas não pode comprar a felicidade.

O dinheiro proporciona conforto material, mas não consegue confortar a alma...

O dinheiro é algo bom, sem dúvida, mas não pode ter prioridade em sua vida.

A QUALIDADE DE VIDA ESTÁ ATRELADA AO QUE VOCÊ FAZ DA SUA VIDA E NÃO AO QUE POSSUI MATERIALMENTE.

Grande parte das pessoas são infelizes porque não aprenderam, A TER QUALIDADE DE VIDA.

Conheço pessoas que têm muito dinheiro. Em compensação, trabalham quinze horas por dia, nunca tiram férias, privam-se da companhia da família e vivem tensos com medo de um sequestro.

Não me cabe julgar mas fico a me questionar: SERÁ QUE ESSAS PESSOAS, APESAR DO DINHEIRO, SÃO FELIZES?

- Agnaldo Paviani, no livro É Hora de Ser Feliz.


quinta-feira, 31 de julho de 2014

EXPLICANDO A ORAÇÃO DE MADRE TERESA...

Há alguns dias, além de postar no meu perfil do Facebook, enviei um episódio da vida de Madre Teresa, acerca da oração, para alguns pouquíssimos amigos. Assim, recebemos uma indagação curiosa acerca do tema:

"Qual a mensagem que devemos entender da Oração da Madre Teresa?"

Bem, acredito que a indagação se reporta ao contexto geral do episódio, ao conteúdo moral que podemos cotejar do mesmo e não à oração em si de Madre Teresa. Portanto, elaborando sob este aspecto, ouvimos dizer que o repórter ficou muito impressionado com a resposta de Madre Teresa, considerando-a de suma inteligência. Também nós outros pensamos assim!

Consequentemente, as ilações e aprendizagens que podemos auferir do respectivo relato, obviamente, será proporcional às capacidades e esforços de cada um na abordagem do mesmo. Por conseguinte, também a nossa resposta será apenas uma pincelada de como vemos a questão, de como a compreendemos dentro de nossas limitações e dificuldades intelectivas-emocionais. Então, não temos a pretensão de esgotarmos o assunto ou de dar a ele a última palavra.


A ORAÇÃO DE MADRE TERESA...

Um repórter perguntou para Madre Teresa de Calcutá:
- Madre, o que a Senhora pede a Deus quando ora?

Ela o ouviu com atenção e respondeu:
- Ahhh, meu filho, eu não peço nada. Apenas escuto!

E o repórter considerou a resposta muito inteligente.
Então, devolveu com outra pergunta inteligente:
- E o que Ele diz à Senhora?

E Madre Teresa lhe respondeu:
- Nada! Ele apenas escuta!



Observamos no episódio não somente a grande sabedoria de Madre Teresa, mas, conjuntamente, um profundo  entendimento conquistado tanto de si mesma, bem como em relação à Vida e à Deus; e, igualmente, fica patenteado a paz, a aceitação e a tranquilidade granjeadas pela nossa abnegada irmã Teresa. Considerando que ela foi um dos personagens que viveu próximo a Jesus, entregando a Ele a sua vida, integralmente, não poderia ser diferente! "E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." (Mt. 25:40.)

Quem compreende a Vida sabe que não é necessário algo pedirmos a Deus, o Nosso Pai, pois Ele de tudo sabe. E sabe melhor do que nós próprios, acerca das nossas necessidades e do que precisamos. Agora, nós outros, Espíritos que ainda engatinhamos nesta escala infinita de progresso, pedimos muito. Porém os nossos pedidos são - em sua maioria - em busca de vermos os nossos desejos, os nossos interesses, as nossas pretensões e etc. serem satisfeitos. Ou seja, que eles sejam passíveis de desfrute por nossa pessoa. Qual o significado disto? Significa que os nossos pedidos se fundam em nosso orgulho e em nosso egoísmo, na vivência da satisfação de nossas paixões e dos vícios a que nos filiamos, nas várias etapas de nossas vidas.

Entretanto, Deus sabe o que é melhor para nós. E SE ELE SABE, por que algo pedir-Lhe? Não é que não devamos pedir, ao contrário, mas que saibamos o quê pedir! No que se reporta a Madre Teresa, ela alcançou aquele patamar de compreensão e de entendimento, no qual somos capazes de abrir mãos dos nossos desejos, dos nossos interesses e etc. para buscarmos, na medida de nossas possibilidades e esforços, vivenciarmos as tentativas de fazer a Vontade Daquele que Tudo Sabe: Seja feita a Tua vontade (Mt. 6:10 e etc.). E, neste caso, existe alguma coisa a ser dito?

Pense ainda: A melhor e maior oração é a do trabalho! Quando tiverdes compreendido isto, saberás que a oração é, tão somente, um momento de comunhão!

Por outro lado, infelizmente, nós outros não sabemos escutar. Sequer escutamos a nós mesmos. Não sabemos ouvir acerca de nossas reais necessidades. E não ouvimos porque o EGO está à frente e em torno da Essência Divina, do Cristo em nós e de nossa Consciência. E, deste modo, como vivemos sob o império do Ego, os nossos interesses são distorcidos, ilusórios. O que nos leva a vivermos para a satisfação das paixões e dos vícios arraigados nas diversas personalidades, as quais apesar de se encontrarem submersas nos porões de nosso inconsciente, entretanto sempre encontra expressão no último personagem que trazemos ao palco da Vida. E isto vem ocorrendo ao longo dos milênios de vidas sucessivas que detivemos.

Deste modo, mesmo em que pese, vivermos numa verdadeira tempestade em alto mar, devido às ressonâncias das Ações-Reações, o Espírito encontra-se amalgamado, ou colorido, por estas expressões, vivendo numa profunda ilusão, alimentado pelo estado de consciência de sono ao qual nos submetemos de bom grado. E esta situação não mudará até nos dispormos a tal. Enquanto uma nova luz não luzir por entre as nuvens de tempestades e dos furações e vendavais a que nos encontramos submetidos, o quadro não tem perspectivas de mudanças.

Contudo, um dia, cansados de lutar contra as ondas de um mar bravio, veremos as possíveis luzes de uma nova alvorada e compreenderemos que estivemos caminhando numa direção equivocada. E, assim, animados com novas forças, nos disporemos ao bom combate. Então, começaremos a perceber que de fato Deus é um Pai de Misericórdia e de Amor, o qual, esteve o tempo todo nos convidando a um banquete diferenciado.

O que nos levará a entender que Deus é impessoal. Ele não interfere, nos convida. Ele nos chama ao trabalho, a uma nova vida, a novos rumos... porém, não obriga, não impõe! Não castiga, educa! Permitindo que quebremos as cabeças e as nossas caras, pois, afinal, tudo redundará em aprendizagem, em experiência... em educação... em crescimento! Então, Ele participa ativamente, mas não diretamente, na caminhada ou nas resoluções (decisões) de suas criaturas. Para tanto, dotou-nos Ele de livre-arbítrio, de inteligência, da capacidade de aprendizagem, da aptidão de evoluir (crescer), deu-nos a posse e a habilidade de escolher... Numa palavra, corou-nos com o poder de desenvolver vários atributos que se encontram, por hora, é bem verdade, dormentes, tal qual em uma singela semente se encontra uma estrondosa e imensa árvore, mas passíveis de serem desenvolvidos, desabrochados... na conformidade de nossos interesses, dedicação e esforços.

Em outras palavras, Ele nos propicia todo o material, tudo de que necessitamos... A nós, apenas nos compete o desejo, a vontade e o trabalho de crescer, de florir e de produzir frutos. No final, somos as sementes, as plantas e os jardineiros do Criador. O campo se encontra à nossa frente e, deste modo, laborando a nossa gleba e auxiliando o próximo, podemos chegar a ser Seus engenheiros siderais na obra de expansão e crescimento do Universo e das criaturas que virão após nós mesmos. "Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também" (Jo. 5:17).

Se não conseguimos trazer à baila todo o conteúdo que tínhamos desejo de transmitir, nestas singelas linhas, os remetemos e pedimos que leiam e reflitam sobre os outros artigos que escrevemos acerca de Deus, os quais se encontram publicados em nossas páginas e blogs. Quem sabe eles poderão ajudá-los a arregimentar acerca de Deus um pouco mais do que tentamos transmitir nestas rápidas linhas.

Resta-nos desejar e fazer votos do melhor para todos!



(Sujeito à revisão do texto. Publicado em 31/07/2014.)



terça-feira, 29 de julho de 2014

A GUERRA NA FAIXA DE GAZA

Caros amigos e amigas, irmãos e irmãs;

Abençoe-nos Jesus os esforços de crescimento e maturidade.

Estamos em tempos de transição. Vivenciamos momentos onde estamos definindo nossos destinos futuros [1], quanto  à permanecermos ou não no abençoado planeta Terra. O nosso amado planeta vem, desde os albores de 1857, se preparando, conjuntamente com suas humanidades, encarnadas e desencarnadas, para adentrarem em um novo estágio: O de Planeta de Regeneração.

Entretanto, consciências existem [2] que estão lutando para tal não se suceder, como se conseguissem deter os movimentos das ondas do mar. Portanto, em uma luta inglória e sem possibilidades de concretização, optaram, uma vez que não se torna possível barrar as ondas de progresso e evolução, destruir a civilização até o momento conquistada por entre suor, sangue e lágrimas, em um ímpeto de orgulho desmedido e extremado egoísmo, trazendo dificuldades ingentes para os que herdarão a Terra de um novo mundo.

Jesus em seu coração amoroso, solicitou aos demais Cristos e ao Demiurgo Solar, um prazo para que as humanidades terrícolas tomassem tento e, nesse prazo, vivenciando um mundo mais globalizado, onde as luzes do Consolador Prometido estariam iluminando e esclarecendo corações, pudessem conquistarem maior entendimento e fraternidade entre si, e, deste modo, fizessem opção pela paz, pelo bem, pela confraternização universal. Abrindo mão da espada e das armas de guerra, da intolerância e dos instintos mais primários, preferindo a abençoada charrua da caridade, da amorosidade, da tolerância, do perdão e da compreensão.

O prazo solicitado está a findar por volta do ano 2020. No entanto, inteligências perversas querem ver a Terceira Guerra Mundial declarada pelos meados do ano de 2017. A qual irá trazer consequências imprevisíveis, do ponto de vista humano, pois que, a Terra está sob o comando de seu Governador, Jesus, o Cristo de Deus, o qual permitirá que o próprio Planeta, que nunca esteve sem seu comando ou concurso, dê um basta aos desmandos daqueles que teimam oporem-se ao Bem e que buscam o Mal, numa ânsia de satisfação de suas paixões, de seus caprichos e vícios mesquinhos e insensatos.

Dentro da perspectiva infantil e beligerante do Mal é que estamos presenciando os movimentos bélicos em algumas partes do mundo [3], mormente, na Faixa de Gaza, onde as inteligências citadas, lutam para que seja o estopim do desenrolar de tristes e lamentáveis acontecimentos, que já pontuamos acima.

E estas Sombras se espalham pela face do Planeta, buscando não somente os incautos, mas a todos aqueles que lhes sintonizem as faixas de ódio, de rancor, de despeito, de preconceitos, de imprudência, arrebanhando os invigilantes e os desprevenidos de toda sorte.

A hora nos requer, mais do que antes, atentarmos ao chamado de Jesus ao Vigiai e Orai, para não cairdes em tentação.






Estejamos atentos para não nos sintonizarmos com chamados tais [4]; como o acima, pois ele não está tratando a questão com isenção. Desconhecemos os meandros de um movimento que nos escapa aos nossos parcos sentidos e que nosso olhar não consegue vislumbrar muito além de nossas próprias dificuldades.

Iremos ver convocações diversas, de ambos os lados [4]. Entretanto, numa guerra, nenhum dos lados tem mais razão ou justificativas do que o outro. Lembrem-se: Desconhecemos as questões históricas da região e as demandas de cada povo, ou o que seus governantes fizeram, ao longo do tempo, com os recursos que detiveram, mesmo que momentaneamente, em mãos. E se agiram e hoje se encontram na situação em que os observamos, foi, como todos os que detém as rédeas de fugaz poder, o fazem: Sob o beneplácito de seus governados, seja de um modo ou de outro. E isto é equivalente para ambos os lados da questão.

Meus irmãos e irmãs, em vez de nos senhorearmos para um lado ou outro [4], busquemos antes a PRECE para estes irmãos desavisados, de ambos os lados, tanto os da vida física, quanto da Vida Imaterial, os quais se tornam e se colocam na condição de instrumentos de angústia, de dor e de infelicidades. Não somente peçamos, mas nos coloquemos disponíveis aos irmãos e irmãs mais velhos e esclarecidos que trabalham no mundo, sob a égide de Jesus, pelos novos tempos, por tempos de paz, de renovação e prosperidade para todos os povos do planeta, dando assim, a eles, elementos para trabalharem pela paz em nossa querida e amada Terra.

Não sejamos nós outros instrumentos das Sombras, antes busquemos a luz da PRECE, a luz da ORAÇÃO, da meditação, trabalhando pela sintonia com Aquele Que Governa Todos os Destinos do Mundo Terra, Jesus, dando aos seus trabalhadores subsídios para algo fazerem em benefício de todos nós!

Evitemos espalhar as chamas do ódio e de desavenças [4], sintonizando assim com Forças Sombrias que nada mais querem do que ver o mundo crepitar em desarmonias, desentendimentos e partidarismos aviltantes.

Seja Jesus o nosso guia, seja Ele a luz das nossas vidas. E com Ele possamos trabalhar pelo bem comum, pela tolerância, pela confraternização e pelo esclarecimento.

Abençoe-nos Jesus hoje e sempre!

Um amigo e irmão!


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[1] Muitos de nós, estamos vivenciando as nossas últimas oportunidades reencarnatórias na face da Terra. Nesta presente encarnação estamos definindo se vamos poder continuar habitando a Terra ou se estamos sintonizando com as faixas dos exilados.
[2] Nos dois Planos da Vida, o material e o espiritual.
[3] Rússia, Coreia do Norte, algumas regiões da África e Paquistão com a Índia são as mais comburentes entre outras.
[4] "Lembre-se de que o mal não merece comentário em tempo algum." (André Luiz, Agenda Cristã, cap. 9 - Nas Conversações.)




segunda-feira, 28 de julho de 2014

ESPIRITISMO VERSUS MISTICISMO

(EM BUSCA DA PUREZA DOUTRINÁRIA)
- Texto escrito em 2003 e revisado em 2014.


Olá!


Já de início necessário se faz distinguirmos entre Espiritismo e Movimento Espírita. Estes dois polos deveriam andar de mãos dadas, mas, infelizmente, nem sempre isto acontece; porquanto, um sendo movimento "dos" Espíritos, o outro (o Movimento Espírita), logicamente, é um movimento dos homens. E aí jazem as grandes diferenças; pois, um segue com fidelidade os postulados e orientações de Jesus, enquanto  o outro segue os entraves e aborrecimentos dos homens.

Obviamente, quando dizemos que o Espiritismo é a Doutrina DOS Espíritos, estamos nos referindo aos Espíritos Superiores e não a todo e qualquer Espírito, pois entre estes os há de vários níveis ou categorias, isto é, em variadas posições evolutivas, de onde encontramos os inferiores e superiores. Mas para entendermos melhor esta questão, remeteremos nossos leitores e leitoras ao tópico 100 - Escala Espírita - de O Livro dos Espíritos.

Dentro das hostes dos Espíritos Inferiores existe um movimento para denegrir, deturpar, poluir e distorcer o Espiritismo. E eles estão agindo sabiamente, se infiltrando dentro do Movimento Espírita, e, assim, utilizando a própria força do oponente, vem minando-o pouco a pouco com deturpações, ou seja, aproveitando-se das fraquezas e imperfeições humanas, estão conseguindo "poluir" o Espiritismo, tal como fizeram com o Cristianismo.

Na verdade, tais corações apegados e/ou serviçais de Mammon (e, dentro deste contexto, vemos aí os que não desejam a realização da reforma moral de si mesmos, por conseguinte, não querem a reformulação ou mudança íntima conducente ao crescimento pessoal - emocional-mental-espiritual -, portanto, não apreciam abrir mão dos prazeres viciosos e viciantes da carne, seja quanto encarnados ou desencarnados) lutam pela não instauração do Cristianismo na Terra. Tentando, desvairadamente, adiar indefinidamente esta hora. Assim, tudo tem feito para que esta nova era não aconteça, desde o início. Por enquanto, eles têm conseguido realizar seu intento. Primeiro, deturpando o Cristianismo nascente; depois, conseguiram derrubar vários movimentos que vieram restaurar-lhe a divina claridade (Reforma Protestante com John Wycliffe, Jan Huss, Jeronimo de Praga, Martinho Lutero e outros), mais uma vez, usando do mesmo expediente de se unir ao inimigo. Como temos exemplos de sobejo a este respeito ao longo da história humana, acreditamos ser desnecessário fincar pé neste aspecto.

Diante de tais circunstâncias, veio o Consolador Prometido por Jesus, chegando ao mundo através das mãos de seu discípulo Allan Kardec, para reviver e revigorar seus ensinamentos e orientações para esta humanidade combalida e sofrida; no entanto, o movimento das Sombras não se fez por esperar. E hoje nos encontramos em uma situação tão grande de balburdia que chegamos ao ponto, quando nos falta estudo e interesse de investirmos no mesmo, não sabermos o que é Espiritismo e o que não é.

Chegamos ao absurdo de ver o Controle Universal do Ensinamento dos Espíritos se transformar em um Descontrole Universal, onde cada Espírito dá ou transmite as suas opiniões pessoais acerca de acontecimentos, personagens históricos ou não necessariamente, passando ensinamentos e etc que vão em flagrante contradição ao que outro Espírito disse ou transmitiu. Estamos revivendo a época da Torre de Babel.

Seja como for, esta situação foi predita por Jesus em várias passagens de seu Evangelho de Luz [1] e também foi alertada por vários Espíritos Amigos, mormente Humberto de Campos ou Irmão X em várias de suas crônicas, apólogos e contos [2].

Enquanto isto, os avisos pouco significados tiveram, pois as instituições organizadas do Movimento Espírita se perdem numa barafunda de dificuldades tipicamente humanas, deixando o barco correr à matroca, em nome da liberdade, do respeito, do direito e etc. etc. etc.... Instituições estas que deveriam ser dos primeiros a zelar pela Doutrina, fazendo e organizando campanhas de esclarecimento junto à sociedade, ou, mais especificamente, próximo às diversas agremiações espíritas ou tidas como tal, senão, ao menos, relativamente às suas filiadas, esclarecendo e orientando o que é o Espiritismo e o que ele não é.

Porém, as diversas organizações mestras do Movimento Espírita preferem lutar e brigar desesperadamente pela questão da Unificação [3], enquanto deixam ao léu a pureza doutrinária legítima e não a que os homens votaram que fosse. Alguns podem não aceitar a realidade deste fato e contra argumentarão sofisticamente em contrário, entretanto, o fato é que ao grande público e aos frequentadores das agremiações espiritistas não chegam informações e orientações quanto ao que é e o que não é o Espiritismo [4].

Por outro lado, existe sim, um pequeno grupo pelejando pela pureza da doutrina, mas sua voz está enfraquecida alcançando apenas um pequeno grupo de pessoas... Enquanto isto, um batalhão de gente corre o risco (aliás, isto já está acontecendo) de chafurdarem-se nos meandros das superstições, do misticismo, do orientalismo e do africanismo propagado e propalado por entidades tidas como espiritistas, mas que, na verdade, de espírita guarda apenas o nome e não os seus princípios libertadores.

O nosso intuito não é de coibir quem quer que seja de frequentar onde considere mais de seu agrado e tão pouco de denegrir instituição alguma, mas tão somente informar o que é Espiritismo e o que ele não é, dando ferramentas para os interessados escolherem e definirem os próprios rumos. E quanto a isto não podemos nos omitir. Ou como disse Deolindo Amorim em seu livro: O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas:


"Todas as doutrinas, como todos os credos sejam quais forem as suas origens, nos merecem o mais justo respeito. Não pretendemos estabelecer gradações ou estimativas, principalmente porque, em se tratando de problemas de consciência, matéria de natureza muito individual, só mesmo o foro íntimo é que pode optar pela melhor doutrina ou religião, de acordo com a receptividade e o discernimento de cada pessoa. Devemos, porém, dizer claramente O Que é e que não é Espiritismo, para que não haja confusão nem tomem corpo interpretações duvidosas. Não temos outro intuito. Tentar esclarecer não é demolir, é procurar servir à Verdade respeitando as ideias alheias." (Grifo sublinhado é do original; o negrito, é nosso.)


De outro lado, se nos reclamam respeito, também não se nos dão ao mínimo respeito (aos profitentes do Espiritismo) usurpando-lhes o nome da doutrina e com isto fazendo um movimento de poluição no que se reporta à fidelidade doutrinária. E nós outros temos que nos calar porque alguns entenderam erradamente e de modo distorcido, sofístico ou devido à ausência de raciocínio, o real fundamento da caridade, do respeito, da liberdade e etc.

Entretanto, "como espíritas, não podemos ser omissos ou coniventes, porque, ou somos espíritas e aceitamos integralmente a Doutrina, ou somos falsos espíritas e, neste caso, só aceitamos da Doutrina aquilo QUE NOS CONVÊM em determinadas ocasiões." (Indalício Mendes, in Rumos Doutrinários. Os grifos em caixa alta são nossos.)

E estes quando se veem prensados pela lógica dos fatos, se colocam numa postura defensiva demonstrando o quanto de resistência e/ou de rejeição à verdade detêm, a mesma que os libertariam das trevas da ignorância. Infelizmente, deixam patente com as suas atitudes que não querem aprofundar assunto, estando satisfeitos com o que são e com o que fazem. Portanto, permanecendo despreocupados em assentarem a Doutrina em cima de atitudes personalistas e de interesses outros [5], esquecidos conforme dizia Kardec: O Espiritismo não reconhece por seus adeptos senão aqueles que lhe praticam os ensinos e se esforçam por se melhorarem [6].

Com atitudes semelhantes à descrita acima, provam e demonstram através de atos a que vieram, pois continuam apoiando ou sendo coniventes com práticas não afeitas aos princípios da Doutrina e, assim, permitem o prosseguimento da poluição e deturpação do Espiritismo. Devido a este e outros fatores, observamos o misticismo, o orientalismo, o africanismo e o espiritualismo ter lugar comum em muitas casas ditas espíritas. Estaremos logo mais abaixo, abordando  algumas destas práticas.

Diante disto, fica manifesto a não observância de que "Um dos mais importantes deveres do espírita cioso da sua responsabilidade no seio do movimento é a FIDELIDADE INTEGRAL à Doutrina." (Indalício, no livro referido. Grifo em caixa alta é nosso.) 

Deste modo, a fidelidade à Doutrina não é um aspecto irrelevante ou um ponto de somenos importância, sobre o qual não necessitamos prestar maior atenção, conforme fica evidente no posicionamento de alguns. Tal comportamento é oriundo da falta de estudos, e também da desconsideração da importância deste mesmo estudo. 

Além destes corações, temos ainda os irmãos incautos e imprudentes; os dedicados à causa, que defendem com entusiasmo o Espiritismo, [mas] desatentos a infiltrações de princípios estranhos àqueles divulgados por Allan Kardec, convencidos em sua placidez, de que nada fazem de censurável, ao introduzirem em seus trabalhos ideias e práticas de outras procedências. 

Alguns querem inovar, por considerarem que sua iniciativa em nada altera o caráter da Doutrina Espírita. Kardec já esperava por isso, porque escreveu sobre a ambição dos que a despeito de tudo, se empenham por ligar seus nomes a uma inovação qualquer. Esquecem-se de que não há necessidade de se ir buscar em outras doutrinas o que supõem não constar da nossa. Enganam-se. "A Doutrina Espírita é uma síntese admirável de verdades relacionadas com a vida psíquica do homem, com a realidade do mundo espiritual e sua conexão direta com o mundo físico". (Idem.)

Herculano Pires em seu livro O Centro Espírita, confirma o que vimos de dizer: "O Centro Espírita apresenta-se, às vezes [hoje em dia, é: na maioria das vezes], entre nós, na dupla forma de Centro e de Terreiro. Isso repugna à maioria dos espíritas que veem no Terreiro uma explosão de práticas supersticiosas africanas, inegavelmente de origem selvagem. Na verdade, ISSO ACONTECE POR FALTA DE ESTUDO DA DOUTRINA ESPIRITA nos Centros. (...) A culpa é dos dirigentes de Centros que se atrevem a dirigi-los sem tomar conhecimento dos mais rudimentares princípios do Espiritismo."

Mais adiante, diz: "Não se pode misturar uma Doutrina Científica e Filosófica com práticas de magia primitiva das selvas. Não se trata de um repúdio ao mediunismo e sua mentalidade mágica, mas de uma questão de método e cultura."

Pois é! Diante desta falta de cultura e do comodismo em não se buscar o estudo aprofundado e sério, sem falarmos da resistência em defendermos nossos pontos de vistas fechados e personalistas ou, ainda, de nossas cristalizações procedentes da superstição e do misticismo, temos encontrado em diversas casas, para não dizermos na maioria delas, práticas estranhas aos princípios e postulados da Doutrina Espírita... Práticas sem fundamento lógico, racional e, menos ainda, científicas.

Esta situação gera e traz muita confusão, o que torna cada vez mais difícil saber o que é o Espiritismo de fato, pois, confundir outras correntes, sejam elas, religiosas, filosóficas, místicas, esotéricas, africanistas, espiritualistas e etc, com a Doutrina Espírita se tornou ponto corriqueiro. Diante deste quadro, estaremos buscando a seguir indicar o que é e o que não é Espiritismo.

Por conseguinte, o primeiro aspecto a ser observado é que a Doutrina Espírita não guarda nenhuma forma ou roteiro ritualístico em suas atividades, sejam elas mediúnicas ou de esclarecimento (isto é, de ensino da moral evangélica, estudos, palestras, etc.). Portanto, o Espiritismo:

a)     Não tem nenhuma forma, método, modelo etc. de culto material, religioso, místico, esotérico ou outros;
b)     Não tem nenhum tipo de ritualismo [ritual] (por exemplo: separação de sexos mulheres de um lado, homens de outro, deixar cadeiras vazias entre os participantes ou ente os trabalhadores seja nas reuniões mediúnicas ou não, etc.);
c)     Não prescreve qualquer forma de paramento (uso de roupas brancas ou de outra cor qualquer, uso de miçangas, ou outros ornamentos quaisquer, etc.);
d)     Não permite uso de qualquer tipo de imagens (seja de santos, divindades, Jesus, Maria de Nazaré, Bezerra de Menezes etc., como não permite o emprego de qualquer sacrifício em razão de crença);
e)     Não tem sinais cabalísticos nem símbolos (estalos de dedos na hora do passe, fungação, benzição);
f)      Não emprega práticas tais como a cromoterapia, cristais, fitoterapia, acupuntura, Reich, Feng Shui, TVP (Terapia de Vidas Passadas), homeopatia, raízes, ervas, hortaliças, piramidalogias, e outras similares e correlatas etc.;
g)     Não faz uso de "correntes fluídicas", por exemplo, todos devem dar as mãos na hora da prece e nas atividades medianímicas; 
h)     Não propõe e nem incentiva mentalização de luzes coloridas, seja na hora da prece, do tratamento, passe etc.; 
i)      Não utiliza mantras, posturas corporais ou sinais específicos ou cabalísticos;
j)      Não utiliza velas, incenso, defumadores, luzes coloridas, raizadas ou floricultura.

Diante disto, podemos dizer com relativa segurança: qualquer casa que se diga espírita mas faça uso de um ou vários destes expedientes não é espírita. Ela não adota os postulados doutrinários do Espiritismo em sua pureza e fidelidade proposta pelos Espíritos Superiores a Allan Kardec. Enquanto isto, apesar da sustentação claramente mística e/ou supersticiosa de várias das práticas acima, alguns confrades (ou pseudoconfrades) teimam em afirmar que tudo é a mesma coisa, tudo é Espiritismo, fazendo uma generalização incabível e prejudicial [7].

O Espiritismo veio REVIVER a pureza original do Cristianismo, o qual era simples, direto e destituído de qualquer tipo de paramentação. Jesus pregava sob as árvores ou no alto dos montes... e propôs uma relação direta do homem para com o Pai, que tudo observa, tudo vê, sem nenhum tipo de ritualismo: "E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente." (Jesus, Mateus 6:5-6.)

Os Espíritos Superiores disseram a Allan Kardec ser necessário apenas o recolhimento, a sinceridade de propósitos, a elevação do pensamento a Deus... conforme Kardec mesmo observa na Viagem Espírita em 1862, falando Sobre  o uso de práticas exteriores de cultos nos grupos: "Frequentes vezes me tem sido indagado se é útil começar as sessões com preces e atos exteriores de culto religioso. A resposta não é apenas minha, mas também dos Espíritos que trataram desse assunto.


É, sem dúvida, não apenas útil, porém necessário rogar através de uma invocação especial, por uma espécie de prece, o concurso dos bons Espíritos. Essa prática predispõe ao recolhimento, condição especial a toda reunião séria. O MESMO NÃO SE DÁ quanto às práticas exteriores de culto, através das quais certos grupos creem dever abrir suas sessões e que têm mais de um inconveniente, APESAR DA BOA INTENÇÃO com que são sugeridas.

(...) É preciso não esquecer que o Espiritismo se dirige a todos os cultos. Por conseguinte ele NÃO DEVE ADOTAR AS FORMALIDADES DE NENHUM EM PARTICULAR." (Os grifos em caixa alta são nossos.)


Se tais observações não são suficientes para os mais renitentes e resistentes, devemos ponderar que o Espiritismo, no dizer de Kardec, é uma ciência de observação e uma doutrina filosófica, da qual se originam consequências morais. Portanto, não dependente de convenções místicas, religiosas, supersticiosas etc.. Depois, devemos lembrar que "O conhecimento da ciência espírita se baseia em uma convicção moral e em uma convicção material. A primeira se adquire pelo raciocínio, a segunda pela observação dos fatos."(Kardec em Instruções Práticas Sobre as Manifestações Espíritas, cap. X.)

Por conseguinte, a Doutrina Espírita veio ensinar o homem a pensar, a raciocinar, a usar a razão, a lógica, o bom senso... portanto, se o Grupo ou Casa não conduz seus frequentadores a este estágio, mas, ao contrário, incutem-lhes práticas questionáveis... o que terá ela com o Espiritismo? De mais a mais, se pensássemos por um pouco que fosse, veríamos que as práticas exteriores não possuem o menor fundamento lógico.

Afora isto, os Espíritos estão constantemente nos ensinando, a começar por Jesus, que "Todo o movimento e realização no mundo são produtos das forças mentais que se transferem de uma para outra antena psíquica, de um para outro lugar, construindo e demolindo, ativando ou desarticulando obras" [8]. 

Ou ainda: "Estás sempre em sintonia, queiras ou não, com as forças mentais que se movimentam no mundo. Conforme a tua identificação emocional, externarás vibrações que se vincularão a outros de igual teor vibratório. (...) Não te descuides do que pensas, do a que aspiras, do que falas e de como ages. Da mente procedem todos esses passos e se não a tens disciplinada, habituada aos bons direcionamentos, sofrerás a correspondência da reciprocidade."

Estes esclarecimentos estão em conformidade com a orientação kardeciana de que tudo está na mente, no pensamento e não nas fórmulas exteriores ou em comportamentos ritualísticos, místicos ou cabalísticos [9]. Miramez, em Filosofia Espírita vol. XI, também pondera: "Não acredites que amuletos possam te dar boa vida, que rabiscos de determinada feição possam te defender deste ou daquele mal. Isso é pura ficção. Por lei, somente o Espírito pode atrair seu igual. O PENSAMENTO É PONTO CHAVE DE ATRAÇÃO DOS ESPÍRITOS: do modo que pensas, podes atrair almas com os mesmos pensamentos. Sabemos, e disto temos provas, que Espíritos que assinam nomes respeitáveis ensinam fórmulas cabalísticas aos incautos, aos de boa fé, melhor dizendo, de fé cega, que em tudo acreditam, desde que venha dos Espíritos. São Entidades enganadoras, que começam a enganar a si mesmas, na ilusão de comprar a felicidade sem esforço próprio. Toda subida exige esforço, sacrifício e dor."

Mais à frente, alerta ele: "Um homem de boa fé, mesmo que seja fé cega, confiando em um talismã pode, perfeitamente, atrair Espíritos para o auxiliarem, mas não por causa do objeto em suas mãos e, sim, por sua fé, por seus pensamentos que entram em ação." (Grifos em caixa alta e negrito são nossos.)

De onde podemos concluir com tranquilidade: Os que se atêm a tais misticismos agem qual "Os judeus [que] haviam desprezado os verdadeiros mandamentos de Deus para se aferrarem à prática dos regulamentos que os homens [e os Espíritos inferiores] tinham estatuído e da rígida observância desses regulamentos faziam casos de consciência. A substância, muito simples, acabara por desaparecer debaixo da complicação da forma [10]. Como fosse muito mais fácil praticar atos exteriores, do que se reformar moralmente, lavar as mãos do que expurgar o coração, iludiram-se a si próprios os homens, tendo-se como quites para com Deus, por se conformarem com aquelas práticas, conservando-se tais quais eram, visto se lhes ter ensinado que Deus não exigia mais do que isso. Dai o haver dito o profeta: É em vão que este povo me honra de lábios, ensinando máximas e ordenações humanas. (...) O objetivo da religião é conduzir a Deus o homem. Ora, este não chega a Deus senão quando se torna perfeito. Logo, toda religião que não torna melhor o homem, não alcança o seu objetivo. (...) Nula é a crença na eficácia dos sinais exteriores, se não obsta a que se cometam assassínios, adultérios, espoliações, que se levantem calúnias, que se causem danos ao próximo, seja no que for. Semelhantes religiões fazem supersticiosos, hipócritas, fanáticos; não, porém, homens de bem." (ESE, cap. VIII, item 10. Grifos itálicos: do  original; negritos: nossos.)

Por outro lado, conhecemos alguns Grupos que não fazem uso de tais parafernálias exteriores e funcionam perfeitamente bem, tendo legítimas relações com Espíritos sérios e compenetrados. Daí, a conclusão por demais óbvia é que tais ritualismos, misticismos ou modismos são totalmente dispensáveis. Aliás, agir dentro de tais práticas é indicativo de iminente perigo: Estaremos nos abrindo para relacionamento com Espíritos inferiores, pois os Superiores não colocam as pessoas no ridículo, como também jamais lhes proporá algum tipo de comportamento estranho. Ao contrário, agem com todo respeito, cordialidade e sempre procurando levar quem os ouve a raciocinar, a pensar e a crescer rumo à libertação de todas as peias de superstições, ritualismos, magias e etc, próprio das idades infantis da humanidade. Considerar que não é verdadeira a proposição apresentada basta pensarmos: Se nós gostamos destes misticismos... e uma vez que as nossas relações com o Mundo Espiritual se dão através da sintonia, simpatia e afinidade, daí, podemos concluir com quais tipos de Espíritos estamos nos pondo a braços.

Ainda assim, de través a estas ponderações, alguns alegam que não estamos sendo caridosos. Já tivemos oportunidade de falar sobre isto! Mas é de se perguntar: Estamos sendo caridosos buscando o silêncio e deixando as pessoas comerem gato por lebre? Se barafundando em comportamentos desnecessários, e até, ridículos? Deixando-os à mercê dos falsos profetas? Uma vez que "Os falsos profetas não se encontram unicamente entre os encarnados. Há-os também, e em muito maior número, entre os Espíritos orgulhosos que, aparentando amor e caridade, semeiam a desunião e retardam a obra de emancipação da Humanidade, lançando-lhe de través seus sistemas absurdos, depois de terem feito que seus médiuns os aceitem. E, para melhor fascinarem aqueles a quem desejam iludir, para darem mais peso às suas teorias, se apropriam sem escrúpulo de nomes que só com muito respeito os homens pronunciam.

São eles que espalham o fermento dos antagonismos entre os grupos, que os impelem a isolarem-se uns dos outros e a olharem-se com prevenção. Isso por si só bastaria para os desmascarar, pois, procedendo assim, são os primeiros a dar o mais formal desmentido às suas pretensões. Cegos, portanto, são os homens que se deixam cair em tão grosseiro embuste.

Mas, há muitos outros meios de serem reconhecidos. Espíritos da categoria em que eles dizem achar-se têm de ser não só muito bons, como também eminentemente racionais. Pois bem: passai-lhes os sistemas pelo crivo da razão e do bom senso e vede o que restará. Convinde, pois, comigo, em que, todas as vezes que um Espírito indica, como remédio aos males da Humanidade ou como meio de conseguir-se a sua transformação, coisas utópicas e impraticáveis, medidas pueris e ridículas; quando formula um sistema que as mais rudimentares noções da Ciência contradizem, não pode ser senão um Espírito ignorante e mentiroso [11]". (Todos os grifos são nossos.)


Enfim, o ponto de partida em sabermos separar o Espiritismo do misticismo está na diferença em que "O Espiritismo é uma doutrina filosófica que tem consequências religiosas, como toda doutrina espiritualista; por isso mesmo toca forçosamente às bases fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma e a vida futura; mas não é, uma religião constituída, tendo em vista que NÃO TEM NEM CULTO, NEM RITO, NEM TEMPLO, e que, entre os seus adeptos, nenhum tomou ou recebeu o título de sacerdote ou de sumo sacerdote." (Obras Póstumas - 1ª parte, cap. "Curta resposta aos detratores do Espiritismo ", trad. edt. IDE. Grifos em caixa alta são nossos.)

Conseguintemente, não será pelo simples fato de determinada Casa LER "Kardec", isto é, a Codificação Kardequiana, que ela poderá ser considerada Espírita ou que ela seja uma Casa Espírita; do mesmo modo que não basta lermos a Bíblia para sermos considerados pertencentes à religião Israelita ou Cristã. A leitura não é suficiente, dizemos LER porque se ESTUDO houvesse, a conduta e orientações daquela determinada Casa, Grupo ou pessoa, seguiriam os princípios expostos pela Espiritualidade Superior e registrados na Codificação por Allan Kardec.

Não que tenhamos algo contra quem faz uso destes ritualismos, não é este o enfoque; estamos apenas estabelecendo a diferença em se buscar ser espírita e não o ser. Portanto, estamos falando tão somente para os que querem realmente se engajar nas fileiras espiritistas. E para isto devemos saber e sermos conscientes de onde colocamos nossos pés, principalmente, porque no Movimento Espírita atual "Há quem se incline pelo silêncio comprometedor, evitando ressaltar essas distinções, a pretexto de que, se assim procedermos, estaremos agindo intolerantemente e menosprezando os que não seguem à risca os ditames da Codificação Kardeciana." [12] Esquecem que não podemos nos omitir, até mesmo em respeito a estes nossos irmãos de caminho.

Além disto, é bom não esquecermos as palavras de Deolindo Amorim no mesmo livro: "Todas as Doutrinas organizadas têm seu corpo de princípios, seus postulados, sua orientação. O Espiritismo, em sua amplitude, é a matriz de muitas escolas, religiões e correntes filosóficas, mas a própria disciplina da inteligência exige que se dê a cada religião ou doutrina o seu lugar inconfundível. Espiritismo é Espiritismo; Teosofia é Teosofia; Ecletismo é Ecletismo. É melhor discernir do que confundir, pois é discernindo que se põe ordem nas ideias para procurar a verdade." (Grifos nossos.)

Diante do que, podemos dizer: Espíritas são aqueles que seguem com fidelidade os princípios doutrinários encontrados na Codificação e no Evangelho aplicando-os a si mesmos. É o velho adágio: "Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más".  (ESE, cap. XVII, item 4, FEB.) E, quanto aos que se contentam apenas com a forma... que evitam fazer uso do raciocínio, da lógica... que permanecem no culto exterior... são apenas simpatizantes... Gostam ou admiram o Espiritismo, mas não para o aplicarem a si mesmos, na busca de sua reforma moral. O Espiritismo para estes não se converteu numa filosofia de vida...

Estes não se enquadram na definição de Kardec: "O verdadeiro Espírita não é aquele que crê nas manifestações, mas aquele que aproveita o ensinamento dado pelos Espíritos. De nada serve crer, se a crença não o faz dar um passo à frente no caminho do progresso, e não o torna melhor para o seu próximo."  (Kardec, O Espiritismo em sua mais simples expressão, item 36, tópico: Máximas extraídas dos ensinamentos dos Espíritos, tradução ed. IDE.)

Diz-nos Emmanuel em Caminho, Verdade e Vida, lição 15: "Não será por se maravilhar tua alma, ante as revelações espirituais, que estarás convertido e transformado para Jesus". 

Já em Fonte Viva, lição 58, diz-nos ele: "Se buscamos a sublimação com o Cristo, ouçamos os ensinamentos divinos. Para sermos discípulos dele é necessário nos disponhamos com firmeza conduzir a cruz de nossos testemunhos de assimilação do bem, acompanhando-lhe os passos." 

Portanto, se não estamos cumprindo tal roteiro, não podemos ser considerados Espíritas e, sim, simpatizantes da Doutrina; quando não, Espíritas ineptos (classificação dada por Kardec na Revue Spirite de mar.-1863), ou quando não: dizemos sê-lo porque está na moda ou para nos mostrarmos aos outros. Agindo assim, no fundo, no fundo mesmo, estamos enganando somente a nós mesmos... pois, independentemente da situação, um dia todos nós saberemos a verdade...

Mas, como dissemos antes, para sermos Espíritas não é suficiente lermos Kardec ou livros Espíritas; então, se não estivermos seguindo com fidelidade a proposição "kardequiana", buscando implementá-la em nossas vidas, não somos Espíritas de fato, podemos ser, sim, simpatizantes. Certamente, o trabalho sobre si deve ser efetivo; se for somente de "boca", não resolve e isto não fará de nós Espíritas; ou como diz Kardec: "A crença no Espiritismo não é aproveitável senão àquele que se pode dizer: Valho melhor hoje que ontem." (O Espiritismo em sua mais simples expressão, item 38, tópico: Máximas extraídas dos ensinamentos dos Espíritos; tradução Edt. IDE.)

Dentro desta conjuntura, podemos dizer com segurança que a banalização dos conceitos, propostas e definições do Espiritismo está cada dia maior e cada vez mais: bate às nossas portas. Situação triste e lastimável. Esta banalização se dá muitas vezes por inexistir critérios para fundar ou criar uma Casa Espírita: O indivíduo acha a Doutrina bonita, tem muita simpatia por ela e acesso a algum dinheiro, então, lá temos mais uma Casa Espírita... 

Outra situação pior ainda, é aquela em que tem muita gente tentando fazer de (transformar) Casas Umbandistas ou Espiritualistas em Espíritas. Estes sim, são os que causam maiores danos ao que seja o Espiritismo, poluindo-o com práticas e comportamentos fora de seus princípios. Apesar de ser um trabalho inglório, em razão dos atavismos e cristalizações de hábitos comuns ao ser humano, está acontecendo muito mais do que pensamos; daí, os profitentes de tais instituições trazendo o tão propalado: ranço, distorcem e poluem os princípios do Espiritismo, pondo a perder a pureza doutrinária. E com isto temos um Espiritismo às avessas. Como exemplo, podemos citar: Uso de roupas brancas, aplicação de passes de conformidade com a condição sexual do paciente (passistas femininas aplica passes em mulheres e homens em homens), separação no auditório de homens e mulheres em filas distintas, uso de Aves Marias e Padres Nossos nas preces, passes com passistas mediunizados (situação própria do mediunismo, mas não da mediunidade com Jesus), toque físico durante o passe ou aconselhamento aos pacientes e etc. etc. etc.

Nenhuma instituição que age dentro destes parâmetros e daqueloutros apontados mais acima pode ser considerada genuinamente Espírita. E é bom relembrarmos que não se está condenando às formas, rituais e cultos de outros movimentos; não, de modo algum; o absurdo, o inaceitável, o desrespeito para com o Espiritismo, fica por conta de quando tais práticas são trazidas para dentro da Doutrina ou quando tais movimentos usurpam o nome da Doutrina para o aporem em seus pórticos.

Bem... uma verdadeira Casa Espírita irá ensinar seus frequentadores a implementar os princípios Espíritas em suas vidas - que não são outros que os encontrados nos Evangelhos -; esclarecendo-os para que façam sua reforma íntima, isto é, consigam implementarem em si mesmos a sua transformação moral. Levam, por consequência, seus frequentadores a pensarem, ensinando-lhes a raciocinar, a usar o bom senso, a distinguir o ridículo de certas atitudes, a desnecessidade das formas exteriores de culto, sejam quais forem e etc.

Nos dias que passam, devemos ter muito cuidado e agir com cautela pois tem muitas pessoas e grupos se dizendo Espíritas e, no entanto, portando graves transtornos na área doutrinária em referência às instituições; e, na área comportamental, no referente às pessoas. No que se reporta à Internet então, o caos está quase total. Inclusive, podemos adiantar, esta é uma das preocupações da Espiritualidade Superior, nesta hora da humanidade, no que se reporta ao Espiritismo virtual.

O momento é grave. Esta acontecendo com o Movimento Espírita o mesmo que aconteceu com o Cristianismo Primitivo. Enquanto ele contava com número reduzido de crentes e era perseguido, até com a tortura física e o sacrifício dos cristãos, foi puro, espiritualizado, como o Cristo nos legou. Mas, no momento que foi admitido pelo poder temporal de Roma e as massas ignorantes o aceitaram, estas foram impondo suas crendices, suas superstições, trazidas do fetichismo e do paganismo. Foram nele infiltrando seus rituais, explicações infantis ou nebulosas, solenidades, mistérios, palavras exóticas. À medida que o ritual avassalava a nova igreja, aliada agora de reis e imperadores, a essência do Cristianismo foi sendo relegada a segundo plano e, afinal, esquecida [13].

Com o Espiritismo está acontecendo o mesmo. Enquanto ele contava com ínfima minoria da população e seus profitentes eram injuriados e atacados por pastores e padres de outras religiões, só os mais corajosos e com boa base doutrinária ousavam reunir-se nas Casas Espíritas. À medida que a palavra dos Espíritos passou a ser ouvida em toda parte, à medida que os grandes médiuns começaram a atrair multidões, e os livros espíritas clarinaram ao mundo (...) multidões acorreram aos Centros Espíritas. Infelizmente não foram em busca de uma iluminação interior, de uma explicação para as torturantes dúvidas filosóficas, mas de remédio pronto e fácil para todas as mazelas do corpo e do Espírito. Essa grande massa de raciocínio simplista não possuía o menor interesse na Doutrina (...) Queria encontrar dentro do Movimento Espírita, os mesmos rituais e solenidades aos quais estava afeita [14].

Consequentemente, o momento, além de grave, é delicado: Estamos em transição, e, nesta hora, todos estamos sendo colocados à prova; validando as palavras de Jesus: "Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo." (Jesus,  Mt. 24:13.)

E estas palavras são mais do que real, se formos observar (como bem nos lembra o confrade Ary Lex em Pureza Doutrinária) que o "Movimento Espírita costuma ter uma certa condescendência para com as pequenas deturpações, condescendência essa rotulada como tolerância cristã. Estão errados! Tolerância deve haver para as falhas das pessoas, que devem ser esclarecidas e apoiadas, ajudando-as a saírem do ciclo erro sofrimento. Tolerância com as pessoas, sim, mas conivência com as deturpações, jamais. As deturpações são como os cupins; vão sorrateiramente corroendo, destruindo. Quando se dá pela coisa, a madeira já está podre, desfazendo-se. As deturpações também agem assim."

É uma realidade. E em sua imensa maioria, são os próprios espíritas os culpados da tragicidade da situação, pois nos escondemos e escamoteamos a realidade apegando-nos a chavões que povoam nossa boca mas com os quais nosso coração tem pouco ou nada haver. Esquecemos que, quando nos tornamos espíritas, não só descobrimos uma verdade nova, mas assumimos o compromisso de lutar pela melhoria da humanidade. E essa luta não consiste, apenas, na frequência aos trabalhos de caridade. Abrange também, a reforma moral. Entretanto, que reforma é essa, em que a pessoa procura tornar-se boa e pura, mas não se importando se, em seu redor, os espíritos humildes continuam abandonados, atrasados, dominados pelas normas erradas de proceder, adotando posturas religiosas fetichistas ou mágicas, substituindo a medicina e a higiene por práticas absurdas, de um passado remoto? [15]

Em Viagem Espírita de 1862, Kardec trazendo uma pauta de Projeto de Regulamento Para uso de Grupos e pequenas Sociedades Espíritas, esclarece: "Tudo nas sessões deve ser feito religiosamente, porém nada deverá dar-lhes o caráter de reuniões de seitas religiosas."(Grifo em negrito é nosso.) Se ainda não está claro, estabelecemos: Ali, não encontramos nenhuma instrução para usar nenhuma das práticas que já vimos acentuando.

Quanto à questão fluídica, alegada por alguns simpatizantes da Doutrina, de onde deveríamos separar homens e mulheres em filas distintas, ou alternar os sexos, por questões de polaridade masculina e feminina, e etc., tem por base a desinformação, pois um estudo acurado a respeito dos fluidos dentro da própria Codificação aclararia a desnecessidade e o absurdo de tais ritualismos. 

Somente a falta de estudo e de compreensão nos levam à atermos a certas formalidades... Mesmo porque, de princípio, o Mundo Espiritual está sujeito a leis diferenciadas do campo eminentemente material. E quanto aos fluidos espirituais, estes não se sujeitam, tão fácil assim, à questão espacial ou material da dimensão física. Consequentemente, nada, no sentido das práticas exteriores, pode impedir o Mundo Espiritual de cumprir seu papel. Entretanto, além da Codificação, uma leitura atenta dos livros da série de André Luiz (para não irmos longe ou demorarmos muito em pesquisas) comprovaria tal realidade, em particular citaríamos o seu livro: Mecanismos da Mediunidade.

Quanto à questão da pureza doutrinária e também do desnecessário das práticas exteriores, podemos recorrer aos seguintes livros:
-        Viagem Espírita de 1862, de Allan Kardec;
-        Instruções Práticas Sobre as Manifestações Espíritas, de Allan Kardec;
-        Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas, de Allan Kardec;
-        O que é o Espiritismo, de Allan Kardec;
-        O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec;
-        O Centro Espírita, de J. Herculano Pires;
-        O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas, de Deolindo Amorim;
-        Africanismo e Espiritismo, de Deolindo Amorim;
-        Rumos Doutrinários, de indalício Mendes;
-        Pureza Doutrinária, de Ary Lex (com algumas ressalvas);
-        Filosofia Espírita vol. XI, de Miramez / J. Nunes Maia;
-        O Quartel e o Templo, Eurípides Kühl.

Finalmente, lembremos: "A Doutrina Espírita não aprova nenhuma atitude, nenhum exercício religioso, nenhuma prática discordante dos usos normais. (...) O verdadeiro culto, para o Espiritismo, é o culto interior, é o sentimento, a elevação do pensamento." (Deolindo Amorim.)


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[1] - A parábola das dez virgens loucas e das dez prudentes (Mt. 25); a parábola de bodas ou das vestes nupciais (Mt. 22); a parábola do joio e do trigo (Mt. 13:24); a parábola do mordomo infiel (Lc. 16); a parábola dos dez servos (Mt. 24:44); nem todo que me diz Senhor... Senhor... entrará no Reino dos Céus (Mt. 7:21); etc..
[2] - Do livro Contos e Apólogos: Nos Domínios das Sombras; do livro Cartas e Crônicas: Lição nas Trevas, Consciência Espírita, Espiritismo e Divulgação, Nota Explicativa; do livro Contos Desta e Doutra Vida: Religiões Irmanadas, Pureza em Branco, Médiuns Espíritas, Decisão nas Trevas; e melhor de todas, a qual não consegui localizar o livro: O Diabinho Coxo.
[3] - Sobre a unificação, já dizia Indalício Mendes em 1974: O trabalho de unificação dentro do Espiritismo tem dado, fora de dúvida, excelentes resultados, EMBORA exija ainda, e o exigirá por muito tempo, AS ATENÇÕES dos responsáveis pela propagação e defesa de seus princípios. (in Rumos Doutrinários. Os grifos são nossos. E um dos princípios deste movimento, se não é, deveria ser: a questão da pureza doutrinária.)
[4] - Veja o livro: O que é o Espiritismo; e ainda: LM itens 35, 37, 39; RE jul.-1859, out.-1863, jul.-1865.
[5] - Deolindo Amorim, em O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas.
[6] - Obras Póstumas: Curta resposta aos detratores do Espiritismo.
[7] - Deolindo Amorim, em O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas, aborda o perigo das generalizações.
[8] - Joanna de Angelis em Dias Gloriosos.
[9] - Kardec ainda diz: o pensamento saneia ou vicia o ambiente(A Gênese, cap. 14, item 18; Revista Espírita dez.-1868.)
[10] - Estão fazendo a mesmíssima coisa com o Espiritismo.
[11] - O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXI, item 10.
[12] - Lauro Salles, no citado livro de Deolindo Amorim.
[13] - Ary Lex em Pureza Doutrinária.
[14] - Ary Lex em Pureza Doutrinária.
[15] - Ary Lex em Pureza Doutrinária.